Fontes do Vaticano suspeitam que o Papa Francisco se distanciou, na Oração do Angelus, da declaração da Doutrina da Fé sobre uniões homossexuais

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Março 2021

Estava o Papa Francisco aludindo à recente declaração da Congregação para a Doutrina da Fé que dizia que os padres não poderiam abençoar uniões homossexuais porque “Deus não abençoa o pecado”, quando falou no Angelus de hoje, 21 de março? Fontes em Roma informam à America que acreditam que ele estava, mas preferem ficar no anonimato porque não estão autorizados a comentar o assunto.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 21-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

As fontes destacam que no comentário do Evangelho do Dia, o qual contava que alguns gregos queriam “ver Jesus”, o Papa Francisco disse que muitas pessoas hoje também querem ver, encontrar e conhecer Jesus e então “nós cristãos e nossas comunidades” temos “a grande responsabilidade” de tornar isso possível pelo “testemunho de uma vida que se doa no serviço. Uma vida que toma sobre si o estilo de Deus: proximidade, compaixão, ternura e se doa no serviço”.

Francisco explicou que “trata-se de plantar sementes de amor, não com palavras que voam para longe, mas com exemplos concretos, simples e corajosos; não com condenações teóricas, mas com gestos de amor”. Ele acrescentou que “então o Senhor, com sua graça, nos faz dar frutos, mesmo quando o terreno é árido por causa de incompreensões, dificuldades ou perseguições ou pretensões de moralismos clericais: este é um terreno árido. Precisamente, então na provação e na solidão, enquanto a semente morre, é o momento no qual a vida brota, para produzir frutos maduros em seu próprio tempo”.

Ele disse que “neste entrelaçamento de morte e vida que nós podemos vivenciar a alegria e a verdadeira fecundidade do amor, a qual sempre, eu repito, é dada no estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura”.

De acordo com as três fontes, foi significativo que Francisco tenha chamado os cristãos e Igreja para dar testemunho de Jesus “não com condenações teóricas, mas com gestos de amor” e que ele falou sobre “incompreensões, dificuldades ou perseguições ou pretensões de moralismos clericais” como “terreno árido”.

Eles apontam que muitas pessoas leram o documento da Doutrina da Fé como um julgamento ou condenação e viram que está marcado por muito “legalismo e clericalismo”, distante do espírito pastoral de Francisco, mesmo que o documento tenha aspectos positivos. As fontes sugerem que com o discurso de hoje, o Papa Francisco tenha tentado se distanciar da declaração da Doutrina da Fé – na qual ele deu “assentimento para sua publicação” antes da visita ao Iraque.

Outra fonte vaticana, que pediu para não ser nomeada porque ele não está autorizado a comentar publicamente, disse, “as três palavras – proximidade, compaixão e ternura – que o Papa Francisco repete falam para o coração de todo pai e mãe, de todo pai e mãe espiritual”. Ele disse, “eles são a verdadeira bênção da Igreja e são pastores para toda pessoa, para toda situação”. Ainda, ele acrescentou: “Eles são a verdadeira medida do verdadeiro magisterium quando iluminam as consciências e guiam os fiéis. Todo responsum e a doutrina devem chegar a essa medida”.

Dada a polêmica criada depois da publicação da declaração da Doutrina da Fé, fontes em Roma disseram à America que eles não ficariam surpresos se o papa retornasse à questão de forma mais explícita no futuro.

 

Leia mais