16 Dezembro 2020
O zagueiro David Luiz, do Arsenal, e o goleiro do FC Liverpool, Alisson Becker, brasileiros que jogam na Europa, integraram-se à campanha de arrecadação de fundos, do evento The Goal, para a organização Portas Abertas e Esportes Holísticos na França, organizações que ajudam cristãos perseguidos pelo mundo afora.
A reportagem é de Edeblberto Behs, jornalista.
A iniciativa partiu da French Connect London, uma igreja de língua francesa de Londres, com a associação cristã Plus Que Sportifs, que arrecadaram, de 22 de novembro a 6 de dezembro, 13,3 mil euros (cerca de 82,7 mil reais), que serão usados no apoio à assistência escolar e projetos de escolas de futebol no Norte de Camarões, em Magrebe e no Mali, áreas onde ocorreram massacres provocados pelo grupo insurgente Boko Haram.
O atacante Olivier Giroud, do Chelsea, doou camiseta que usou no centésimo jogo pela seleção francesa, dois pares de chuteiras autografadas. Davi Luiz e Alisson também doaram camisetas.
“Graças à minha notoriedade posso ser uma voz para os que não têm voz”, disse Giroud. “Fiquei impressionado com os testemunhos e ver 260 milhões de cristãos perseguidos no mundo é inaceitável, temos que falar sobre isso”, afirmou.
Relatório do Pew Research, que recolheu dados em 2018 mas divulgados em novembro passado, indica que pessoas que se identificam com o cristianismo e o islamismo são as mais perseguidas no mundo, padrão que permaneceu inalterado desde o início da pesquisa, em 2007.
Em 2007, a pontuação média global no Índices de Restrições de Governos a grupos religiosos – numa escala de dez pontos baseada em 20 indicadores – foi de 1,8. Desde 2011, esse índice vem aumentando e em 2018 alcançou a marca de 2,9 pontos.
O número total de países com níveis “altos” ou “muito altos” de restrições governamentais a grupos religiosos também aumentou. Subiu de 52 nações (26% dos 198 países e territórios analisados) para 56 (28%) em 2018. A maioria desses países estão localizados nas regiões da Ásia-Pacífico, no Oriente Médio e no Norte da África. A China lidera a lista dos países que mais perseguem grupos religiosos, não só cristãos, mas também muçulmanos.
Já o Índice de Hostilidades Sociais, uma escala de dez pontos que avalia 13 medidas hostis a grupos religiosos mas que não partem de governos, caiu de 2,1 em 2017 para 2,0 em 2018. Nesse índice são consideradas perseguições ou agressões a indivíduos que não confessam a fé majoritária numa área ou o impedimento de religiões minoritárias de realizarem suas celebrações.
E aí aparece um quadro surpreendente. Cinco países, que gozam de plena liberdade democrática, mas apresentam elevados níveis de hostilidades sociais são europeus: Dinamarca, Alemanha, Holanda, Suíça e Reino Unido. Todos tiveram relatos de incidentes antimuçulmanos e antissemitas. Na Suíça, grupos muçulmanos relataram hostilidades crescentes provocadas pela cobertura negativa da mídia e pelo discurso inamistoso sobre o Islã da parte de partidos políticos de direita.
Os países com os menores índices de restrição governamentais estão localizados na América do Sul.
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