Bispos poloneses lamentam a negativa para elevar João Paulo II a doutor da Igreja e padroeiro da Europa

Foto: FlickrCC/Mazur/CBCEW

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15 Outubro 2020

O presidente da Conferência dos Bispos da Polônia disse que o Vaticano rejeitou o pedido para declarar João Paulo II como Doutor da Igreja e Santo Padroeiro da Europa.

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por The Tablet, 13-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O arcebispo Stanislaw Gadecki, de Poznan, disse que a maioria dos bispos do mundo ignoraram essa proposta.

Ele afirmou: “O título de Doutor da Igreja é reservado para santos que exerceram um serviço especial, especialmente no desenvolvimento da teologia”.

“A ideia de padroeiros de toda a Europa é nova, data do século XX quando os fundadores da ordem contemporânea da Europa procuraram formas de integrar nosso continente, nações e estados. Embora o primeiro estágio de nossa iniciativa tenha sido completado, e as sementes plantadas em solo apropriado, parece que nós precisaremos de muito mais paciência”, lamentou o bispo.

Falando em uma Conferência em Varsóvia sobre o legado espiritual do papa polonês, com o público da Igreja e líderes do governo, o Gadecki falou que o caso para elevação de João Paulo II foi feito pelo estadunidense e católico conservador George Weigel.

Ele acrescentou que o poder de proclamar João Paulo II como 37º doutor da Igreja e o 7º co-padroeiro da Europa depende apenas do Papa, e ele disse que escreveu para Francisco em outubro de 2019, sugerindo, com total convicção da certeza desse ato.

“Quando tendências perigosas procuram afastar-nos de valores cristãos e construir uma integração europeia sobre fundamentos de visão de mundo alienígena e atividade puramente econômica à custa de nossa verdadeira identidade, os santos padroeiros da Europa deveriam ser um chamado à memória”, disse o líder da Igreja polonesa.

“Mas era também uma questão de obter apoio para a nossa proposta, e quando escrevi aos presidentes das mais de 150 conferências episcopais do mundo, pedindo seu apoio a tempo para o centésimo aniversário de João Paulo II este ano, houve pouca reação e apenas sete responderam positivamente”.

O apelo da Igreja polonesa, apoiado com entusiasmo pelo ex-secretário de João Paulo II, o cardeal Stanislaw Dziwisz, foi amplamente visto como uma reação aos apelos de um ano atrás para que o inglês John Henry Newman (1801-1890) fosse homenageado de forma semelhante após sua canonização em outubro de 2019.

No entanto, em seu discurso na conferência, o arcebispo Gadecki disse ter recebido respostas negativas de bispos da França, Suíça e Áustria, que argumentaram que a mudança seria prematura.

Ele acrescentou que, embora o apoio tenha vindo dos líderes da Igreja no Chile, República Tcheca, Alemanha, Filipinas, Eslováquia, Eslovênia e Ucrânia, a grande maioria das Conferências Episcopais nem mesmo respondeu à sua carta.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também rejeitou a ideia, disse o arcebispo Gadecki, lembrando que muitos outros pedidos foram recebidos relativos a figuras significativas da Igreja, com valor espiritual e simbólico para a Europa.

“O que resta é oração e continuar pensando sobre esses títulos, que o falecido Santo Padre, sem dúvida, merece”, acrescentou o presidente da Conferência Episcopal da Polônia.

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