Etty Hillesum, bálsamo de resistência

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29 Abril 2020

É possível nas situações mais dolorosas, devastadoras e até mais apavorantes, como dos campos de concentração, conservar e fazer crescer dentro de si o núcleo mais belo da vida, o amor pelos outros e por Deus? Sim, é possível, testemunhou Etty Hillesum, jovem judia.

A reportagem é de Vincenzo Passerini, publicada por Trentino, 28-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Holandesa, nascida em Middelburg em 15 de janeiro de 1914, pai estudioso de línguas clássicas, mãe russa, dois irmãos, Etty Hillesum estuda jurisprudência e línguas eslavas em Amsterdã. Ela tem uma relação apaixonada com dois homens muito mais idosos que ela, incluindo seu terapeuta, Julius Spier. Ele se torna seu Sócrates, o "obstetra" que a ajuda a fazer emergir sua essência mais profunda e fazer prevalecer, gradualmente, a dimensão espiritual sobre aquela instintiva. Ela sempre procurou testemunhas e mestres, exemplos de coerência moral para o seu próprio crescimento interior.  Por conselho de Spier, que a faz descobrir a Bíblia (não era observante), ela mantém um diário que chegou até nós. De 8 de março de 1941 a 13 de outubro de 1942. Uma obra-prima de humanidade e espiritualidade que admiravelmente conta a evolução de uma alma dentro de uma devastadora tempestade histórica. Em maio de 1940, os alemães haviam ocupado a Holanda. Etty trabalha para o Conselho Judaico, primeiro como secretária, depois como assistente social voluntária no campo de trânsito de Westerbork, a 180 quilômetros de Amsterdã, na fronteira alemã.

Por lá passaram 100 mil judeus destinados aos campos de extermínio. Ela pode se salvar, mas quer compartilhar o destino dos outros infelizes. Aceita esse destino, sem ser esmagada por ele. "Agora eu sei: querem nossa total aniquilação... Continuo trabalhando e vivendo com a mesma convicção e considero a vida igualmente rica de significado".

"A miséria que reina aqui é realmente indescritível. Em grandes galpões, vivemos como ratos em um esgoto." Talvez, escreve, "poderão me reduzir em pedaços fisicamente, mas mais do que isso não poderão fazer", porque "eu não me sinto em suas garras, apenas nos braços de Deus".

A sua é uma resistência interior, construída com uma luta dura, passo a passo. Devemos sempre "ficar de olho nas poucas grandes coisas que importam". A vida nunca é um crepúsculo, uma queda em direção ao abismo, mas é sempre "um caminho para uma existência mais verdadeira e autêntica", seja qual for a situação. Também escreve cartas. Que foram salvas, maravilhosas. Em setembro de 1943, com seus pais e um irmão, foi deportada para Auschwitz. Logo serão mortos nas câmaras de gás. "Gostaríamos ser um bálsamo para muitas feridas", são as últimas palavras do diário.

 

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