Prioridades e planos dos bispos dos EUA: um “pastel de vento”

Foto: Presidência da Conferência Episcopal dos Bispos Católicos dos EUA / Vatican News

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13 Novembro 2019

Os bispos dos EUA parecem determinados a transformar a Conferência Episcopal, antigamente modelo para outros países, em nada mais do que um “pastel de vento”.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicada em National Catholic Reporter, 12-11-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O arcebispo de Detroit, Allen Vigneron, apresentou as “Prioridades e Planos” de 2021 a 2024 e a consulta entre os bispos que levaram à sua formulação.

O primeiro item é “Evangelização: formar um alegre grupo de discípulos missionários de Jesus Cristo”. Os itens desse entretítulo não promovem um “terremoto” e carecem do modo franco e sincero do Santo Padre de discutir a evangelização. Eles são inquestionáveis, mas nada mais do que isso.

A segunda prioridade abrange o maior terreno: “Vida e dignidade da pessoa humana: servir o bem comum como fermento em uma sociedade livre”. Os itens incluem uma mistura de preocupação com os migrantes, esforços para “curar o flagelo do racismo e da intolerância religiosa” e as questões mais tradicionais da vida, como a luta contra o aborto e a eutanásia, e a promoção do casamento tradicional. Há também uma breve menção ao ambiente. Da Amoris laetitia, a exortação apostólica que se seguiu ao Sínodo de 2014-2015 sobre o cuidado da família, não há menção alguma.

A terceira prioridade foca a proteção das crianças, e a última, as vocações. As prioridades e os planos foram aprovados por 214 votos a favor, quatro contrários e duas abstenções. Todos eles poderiam ter sido adotados durante o pontificado do Papa Bento XVI.

O cardeal Sean O’Malley, de Boston, que recentemente concluiu a sua visita ad limina a Roma com um grupo de bispos estadunidenses, falou ao órgão sobre o status da investigação da Santa Sé sobre a carreira do ex-cardeal Theodore McCarrick. Ele disse que ela estava sendo traduzida para o italiano para o Santo Padre e que se trata de um documento “robusto”. Ele não mencionou perante os bispos, mas o NCR soube depois que, no exato momento da semana passada quando o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, foi questionado sobre o estado da investigação sobre McCarrick, um breve terremoto sacudiu Roma. Uau!

O bispo auxiliar de Los Angeles Robert Barron fez uma apresentação sobre os “nem-nem” e a evangelização. Há algo perturbador no modo como ele discute a beleza, e isso não ficou menos assustador pelo fato de ele ter falado isso em latim, via pulchritudinis, a via da beleza. Se você olha para a arte e para a sensibilidade estética principalmente pelo seu valor utilitário como uma avenida para a apologética, quanto tempo levará para que você não aprecie mais a estética e se encontre envolvido com a propaganda?

Eu continuo lamentando a insistência dele na ideia de que um impedimento à evangelização é o “emburrecimento da fé” que ele acredita ter atormentado a Igreja pós-conciliar. A capacidade de memorizar oCatecismo de Baltimore significou um “inteligenciamento da fé”? O foco dele aqui trai o verdadeiro problema da abordagem de Barron: o “Catecismo de Baltimore” forneceu uma refinada apologética para responder às acusações contra a fé feitas pela cultura protestante da época. O que Barron apresenta hoje como evangelização é mais propriamente rotulável como “apologética”. Ele intelectualiza tudo, quando a evangelização eficaz requer mais testemunho do que explicação.

A maioria das pessoas que buscam um caminho espiritual buscam a Deus. Elas não são persuadidas por alguém que pensa conservar os segredos do divino. Além do mais, é um pouco indecoroso que a maioria das “respostas” propostas por Barron estejam disponíveis à venda no seu ministério Word on Fire.

Em suma, o primeiro dia da assembleia dos bispos foi deprimente. Veremos o que os próximos dias nos trarão.

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