Papa Francisco alerta para uma 'grande guerra mundial pela água'

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02 Março 2017

Em uma reunião do Vaticano pelo direito universal à água potável segura e acessível, o Papa Francisco também citou estatísticas "preocupantes" das Nações Unidas, que indicam que mil crianças morrem por dia por doenças relacionadas à água.

A reportagem é de Cindy Wooden, publicada por Crux, 24-02-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O acesso à água potável é um direito humano básico e um componente-chave para a proteção da vida humana, disse o Papa Francisco.

"O direito à água é essencial para a sobrevivência das pessoas e determinante para o futuro da humanidade", disse o Papa, no dia 24 de fevereiro, durante uma reunião com 90 especialistas internacionais que participaram do "Diálogo sobre a Água" na Pontifícia Academia de Ciências.

Considerando todos os conflitos do mundo, disse o Papa Francisco, "me questiono se não estamos rumando a uma grande guerra mundial pela água".

O acesso à água é uma questão básica e urgente, disse ele. "Básica, pois onde há água, há vida, possibilitando que sociedades surjam e avancem. Urgente, pois a nossa casa comum precisa ser protegida."

Citando estatísticas "preocupantes" das Nações Unidas, o Papa disse: "por dia – por dia! -, mil crianças morrem de doenças relacionadas à água e milhões de pessoas consomem água poluída".

Ainda que a situação seja urgente, não é insuperável, disse ele. "Nosso compromisso de dar à água o seu devido lugar depende do desenvolvimento de uma cultura de cuidado - o que pode soar poético, mas tudo bem, porque a criação é um poema."

Cientistas, líderes empresariais, fiéis e políticos devem trabalhar juntos para educar as pessoas sobre a necessidade de proteger os recursos hídricos e encontrar maneiras de garantir um maior acesso à água limpa "para que outros possam viver", disse ele.

A falta de água potável limpa e segura "causa grande sofrimento em nossa casa comum", disse o Papa. "E também clama por soluções práticas capazes de superar as preocupações egoístas que impedem que todos exerçam esse direito fundamental."

"Precisamos unir as nossas vozes por uma única causa; para que não sejam vozes individuais ou isoladas, mas sim que o apelo de nossos irmãos e irmãs ecoe em nossa própria voz e o pedido da terra por respeito e compartilhamento responsável de um tesouro que pertence a todos", disse ele.

Se cada um contribuir, disse o Papa, "estaremos colaborando para tornar a nossa casa comum um lugar mais habitável e fraterno, onde ninguém seja rejeitado ou excluído, mas todos tenham acesso aos bens necessários para viver e crescer com dignidade."

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