O bispo que acolhe depois de ‘sair do armário’

Foto: SEASDH - Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos/Flickr

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17 Janeiro 2018

"Quatro anos atrás, a nossa filha Martina nos contou sobre sua homossexualidade. Ela nos deixou um livro que escreveu chamado "Diário de uma diferente filha de Deus", no qual assume sua orientação sexual e descreve o seu sofrimento pela falta de compreensão da Igreja: ‘Para a Igreja existem três tipos de opções: o casamento, a vida consagrada ou dedicar-se aos outros de forma laica, como tu te encaixas neste projeto de Deus?’, havia-lhe respondido um padre a quem tinha pedido ajuda. Na hora nosso mundo desmoronou. Como fiéis crentes, estávamos plenamente convencidos de que a homossexualidade era um pecado. Depois rezamos e lemos a parábola do Filho Pródigo, entendendo assim que o Senhor sempre acolhe e não julga. Martina vive na verdade, e nós a amamos como ela é. O bispo da nossa diocese de Civitavecchia-Tarquinia, D. Luigi Marrucci, é uma pessoa especial, iluminada, tanto que na equipe diocesana para a pastoral familiar orientada por um presbítero, colocou nós dois, dois laicos, com a função de acompanhar famílias com filhos LGBT".

A reportagem é de Paulo Rodari, publicada por La Repubblica, 15-01-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Serenella Longarini e Salvador Olmetto têm, respectivamente, 55 e 56 anos. Hoje, são os primeiros laicos italianos com essa responsabilidade, e desempenham na diocese um papel difícil, mas ao mesmo tempo emocionante.

O anúncio de Martina ocorreu em fevereiro de 2014. Segunda de três filhas, ela estava na época com vinte e quatro anos. "Foi um balde de água fria para nós, criados com uma educação católica moralista - conta Serenella - mas, logo ligamos para ela. Lemos a parábola do Filho pródigo, reunimos toda a família e dissemos para Martina: ‘Você era, é e será nossa filha para sempre'".

A história de Martina é uma história de incompreensão também dentro da Igreja que, muitas vezes, tem elementos que manifestam atitude homofóbica. "Após o encontro com aquele padre - relata Salvador – a nossa filha ficou deprimida. Muitas vezes, os próprios homossexuais interiorizam uma atitude homofóbica quanto à própria condição.

O problema continua sendo o Catecismo que afirma que a homossexualidade é uma orientação intrinsecamente desordenada. Não é verdade. E aquele texto deveria ser alterado. Se Martina tivesse dado ouvidos àquele padre estaria seguindo um caminho que não é o dela, por uma coação inimaginável. É isso que a Igreja quer? Como nossa filha nos ensinou, o amor vence tudo".

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