E Ratzinger conta a infância de Jesus

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30 Julho 2012

Na quietude de Castel Gandolfo, suspensas as audiências e quase todos os compromissos públicos, Bento XVI está trabalhando no terceiro volume sobre Jesus de Nazaré, dedicado aos evangelhos da infância. Um livro esperado que poderia ser publicado ainda no próximo Natal. Desde que era cardeal, Joseph Ratzinger usava o tempo de férias para se dedicar ao estudo e à escrita de livros, podendo permanecer por várias horas à escrivaninha: isso também aconteceu para os primeiros dois grossos volumes – Jesus de Nazaré (Ed. Planeta, 2007) e Jesus de Nazaré. Da entrada em Jerusalém até Ressurreição (Ed. Planeta, 2011) – um dedicado à vida pública de Cristo, o outro aos últimos dias de vida, à crucificação e à ressurreição, ou seja, aos eventos que representam o coração da fé cristã.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 27-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Já no primeiro volume, Bento XVI anunciava no prefácio: "Com a segunda parte, espero ainda poder oferecer também o capítulo sobre os relatos da infância, que, por enquanto, posterguei...". Depois, no segundo volume, Ratzinger explicava que os relatos da infância não podiam entrar "na intenção essencial" da obra, mas reiterava: "Quero tentar permanecer fiel à minha promessa e apresentar ainda sobre esse assunto um pequeno fascículo, se para isso ainda me for dada a força".

Já no verão europeu passado, o papa trabalhou no novo livro, que se prevê que será bem mais do que um fascículo, mas de dimensões inferiores com relação às páginas dos outros livros (448 o primeiro, 348 o segundo). Será a Livraria Editora Vaticana que irá publicá-lo. A data de lançamento irá depender do comprimento da obra e principalmente dos tempos de tradução e de uma acurada editoração.

A infância de Jesus é um tema que Ratzinger não havia aprofundado de modo particular nos seus trabalhos teológicos. Como se sabe, apenas dois dos quatro evangelistas descrevem as circunstâncias do nascimento de Cristo, colocando-a ambos em Belém. O primeiro, Mateus, referindo-se à tradição familiar de José, contém o episódio da visita dos magos vindos do Oriente, o massacre dos inocentes, a fuga para o Egito.

O segundo, Lucas, ao invés, refere-se à tradição de Maria e é repleto de detalhes sobre a anunciação, o censo, a viagem de Nazaré, a adoração dos pastores. Além disso, descreve o único episódio sobre Jesus nos anos que vão da infância à idade adulta, aquele em que Maria e José perdem de vista o filho de 12 anos durante a peregrinação a Jerusalém, que é reencontrado enquanto "ouvia e interrogava" os mestres do Templo. Relatos curtos e essenciais, enquanto aqueles que se leem nos evangelhos apócrifos são ricos em detalhes muitas vezes milagrosos.

Há estudiosos que consideram os evangelhos da infância um acréscimo com relação ao núcleo central, denso de significados acima de tudo simbólicos. Mas Ratzinger escreveu que "para a fé bíblica é fundamental a referência a eventos históricos reais. Ela não conta a história como um conjunto de símbolos", mas "se fundamenta na história que aconteceu sobre a superfície desta terra". Mais de uma vez Bento XVI alertou contra o fato de apresentar "um Jesus tão idealizado que às vezes parece o personagem de uma fábula", recordando que "somente o menino que jaz no presépio possui o verdadeiro segredo da vida".

Os livros do papa sobre Jesus, além de se tornarem best-sellers mundiais, também atraíram o interesse e levantaram debates no ambiente universitário, ao qual Ratzinger sempre permaneceu ligado, como atestam os dez congressos sobre o segundo volume, organizados em várias universidades italianas. Os atos foram recém-publicados pela editora LEV com o título Gesù di Nazaret all’università (416 páginas).

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