Dilma vai propor governança global da internet

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Abril 2014

A presidente Dilma Rousseff vai anunciar no dia 23 de abril, durante evento com representantes de dezenas de países, em São Paulo, uma proposta de governança global da internet, seguindo o Marco Civil da Internet, aprovado pela Câmara dos Deputados no mês passado.

A reportagem é de João Villaverde, publicada pela Agência Brasil, 09-04-2014.

O objetivo do governo brasileiro é envolver os demais países numa discussão para reduzir o peso dos governos na regulação e governança da rede mundial. A iniciativa também deve dar maiores garantias à privacidade dos usuários. A proposta é uma resposta direta às ações de espionagem conduzidas pelos órgãos de inteligência norte-americanos contra vários presidentes, como Dilma e Angela Merkel (Alemanha), e empresas de diversos países, inclusive Petrobrás.

O novo ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Clelio Campolina, informou que o objetivo do governo é aproveitar a conferência "NET Mundial", que ocorrerá no fim de abril e receberá representantes dos Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia, entre outros. "Daremos início oficial à discussão sobre a governança da internet no mundo", disse.

Em sua primeira entrevista exclusiva, Campolina afirmou que o plano brasileiro tem como ideia central que a "governança da internet não pode ser feita por governos". Por isso, Dilma defenderá a adoção de "normas comuns" entre os países para estabelecer diretrizes básicas, como o registro de nomes, domínios e endereços IPs. Hoje, este processo é concentrado pela ICANN, uma entidade sem fins lucrativos que, no entanto, trabalha para o governo dos Estados Unidos, onde é responsável por essas normas. Uma das ideias defendidas por técnicos envolvidos com a "NET Mundial" é que entidades como ICANN tenham um desempenho semelhante ao IETF, uma comunidade internacional aberta, que cuida da internet do ponto de vista técnico, identificando problemas de funcionamento e desenvolvendo soluções. "Não existe uma institucionalidade mundial para regular o comportamento dos cidadãos em todos os países, cada um tem que ter o seu, mas precisamos construir um senso comum", disse Campolina. "Ficar do jeito que está levará a barbárie. Estamos iniciando um processo irreversível".

Um dos principais temas a ser levado por Dilma à conferência é o da privacidade. "Não há nenhum órgão que faça a governança da privacidade, e isso precisa mudar", disse o novo ministro. O evento na capital paulista será a primeira grande reunião internacional "pós-Snowden", segundo Campolina. É uma referência a Edward Snowden, ex-funcionário da agência norte-americana NSA, que revelou no ano passado as operações de espionagem conduzidas pela agência do governo dos EUA contra autoridades públicas e privadas em diversos países. O escândalo, segundo o ministro, ajudou a criar as condições para a discussão de um "marco civil da internet mundial".

Marco

Um trunfo para o governo brasileiro, segundo ele, é a recente aprovação na Câmara do projeto do Marco Civil da Internet no País. Ainda em tramitação no Congresso, o projeto precisa agora ser aprovado pelos senadores antes de ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff e entrar em vigor.

"Essa legislação dará um arcabouço legal seguro para o crescimento da internet no Brasil. As empresas vão saber quais são as regras, e até onde elas poderão ir, tendo as responsabilidades de cada agente bem definidas", disse o secretário de políticas de informática do MCTI, Virgílio Almeida, que também é o coordenador do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil.