21 Novembro 2013
“O encontro entre o Papa e o Patriarca? Ainda não pensamos numa data, nem foi estabelecido o lugar neutro onde possam ver-se. Mas estamos preparando o terreno e trabalhando nesta possibilidade com convicção. Estamos até considerando, entre o patriarcado de Moscou e o Vaticano, os possíveis temas em agenda”.
O emissário de Kirill o Patriarca de Moscou e de todas as Rússias, tem o olhar determinado de quem sabe o que dizer e até aonde chegar. E assim o metropolita Hilarion Alfeyev, presidente do Departamento das relações eclesiásticas externas do Patriarcado de Moscou, foi primeiro recebido no Vaticano por Francisco e por isso anunciou a possibilidade de uma cúpula [ou ápice] entre o Pontífice de Roma e o Patriarca ortodoxo num terceiro País, enfim participou em Roma de uma convenção entre católicos e ortodoxos, hospedado pelo presidente do Pontifício Conselho para a Família, monsenhor Vincenzo Paglia, que muita participação terá agora no diálogo entre as duas bordas. No fim do mês o conselheiro espiritual da Comunidade de Sant’Egidio estará de fato em Moscou para uma convenção organizada pelos ortodoxos. A Santa Sé e a Rússia estão movendo todas as suas peças, no âmbito religioso e no político. Ontem se concluiu a etapa do arcebispo de Milão, Angelo Scola, na capital russa. Daqui a dez dias tocará ao presidente Vladimir Putin de atravessar os muros vaticanos.
Hilarion, de 47 anos, arcebispo e teólogo, mas também compositor saído do Conservatório de Moscou é hoje membro permanente da Comissão internacional de diálogo entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica. Estudou filosofia na Universidade de Oxford, e seu inglês é, portanto, perfeito.
A entrevista é de Marco Ansaldo, publicada no sítio La Repubblica, 14-11-2013. A tradução é de Benno Dischinger.
Eis a entrevista.
- Excelência, confirma a possibilidade de um encontro, até agora jamais ocorrido e considerado como histórico, entre o Patriarca ortodoxo e o Papa da Igreja católica?
“É um grande passo no qual estamos trabalhando com convicção. Estamos trabalhando para que ocorra”.
- Mas, em vossos colóquios já emergiu uma data?
“Ainda não. Antes do protocolo existe a questão do conteúdo. A data virá em seguida”.
- O senhor acenou com a possibilidade de um encontro num lugar neutro, antes de uma eventual viagem do Papa a Moscou. Fala-se da Abadia de Pannonhalma na Hungria, ou de Viena, ou até mesmo de Bari, onde existe a Igreja ortodoxa russa. Onde, então?
“Ainda não estamos neste ponto. Precisamente porque o encontro é um momento importante e é preparado com cuidado. Queremos enfrentar os temas sobre os quais falar, precisamente porque podem ser determinantes no sucesso da iniciativa”.
- E quais são?
“Um é, por exemplo, a família, do qual estamos falando aqui com Dom Paglia. Depois há o grande tema que diz respeito à proteção dos cristãos dos lugares onde são perseguidos, como, por exemplo, no Oriente Médio”.
- A carta do Papa a Putin havia mencionado a intervenção militar na Síria. O que se pode fazer para ajudar os cristãos nas zonas de conflito?
“A iniciativa de Francisco teve um grande efeito. Devemos, absolutamente, frear os massacres dos cristãos onde os grupos radicais islâmicos estão procurando exterminá-los. Destes temas falei no outro dia com o Papa”.