Presidente de dicastério vaticano reconhece direitos para casais de fato

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: André | 07 Fevereiro 2013

O presidente do Pontifício Conselho para a Família, o arcebispo Vincenzo Paglia, reconhece direitos para os casais de fato, homossexuais ou não.

A reportagem é de Juan G. Bedoya e está publicada no jornal espanhol El País, 05-02-2013. A tradução é do Cepat.

O ‘ministro’ do Vaticano que se ocupa de zelar pelo matrimônio católico e indissolúvel, o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, defende a família tradicional, mas reconhece direitos para os casais de fato, homossexuais ou não. Ele expressou essa opinião na segunda-feira diante de numerosos jornalistas, causando grande alvoroço, pois se trata de um giro radical nas rígidas posições da Igreja católica. “Infelizmente, não sou um especialista em direito, mas pelo que sei, me parece que é o caminho que se deve trilhar”, acrescentou. Pouco depois, o prelado recebeu o apoio de um de seus colegas da cúria da Santa Sé, o também arcebispo Rino Fisichella, responsável pelo ‘ministério’ papal recentemente criado com o nome de Nova Evangelização. “O legislador deve responder às exigências que antes não existiam”, disse este.

Apenas há um mês o papa Bento XVI admitiu que os ataques que, segundo ele, a família católica sofre em numerosos países europeus são um perigo para a humanidade e geram violência e pobreza. Da mesma opinião são seus hierarcas na França, que aplaudiram as massivas manifestações contra a iminente legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Paglia, ao contrário, reconhece agora que se trata de situações que o Estado deve resolver para impedir injustiças e discriminações, não sem antes abrir debates mais prolongados.

“É preciso encontrar soluções no âmbito do código civil para garantir questões patrimoniais e facilitar condições de vida para impedir injustiças com os mais fracos. É um assunto que deve ser debatido mais amplamente e não imposto pelos governos”, disse, em clara referência à França e à Espanha.

Paglia é um dos fundadores da Comunidade de Santo Egídio, uma organização nada conservadora em comparação com outras de grande poder no Vaticano, como se demonstra por sua mediação em conflitos internacionais, entre eles em El Salvador, ou por sua postura a favor da causa da beatificação do bispo salvadorenho Arnulfo Romero, assassinado por forças ultracatólicas desse país por sua defesa dos mais pobres.

O destacado religioso italiano foi escolhido por Bento XVI há um ano para presidir um dos ‘ministérios’ chaves do Vaticano, até então nas mãos do cardeal provavelmente mais conservador da cúria, o colombiano Alfonso López Trujillo, no cargo durante muitos anos.

Acostumado com o debate e avisado por seus irmãos da Comunidade, muito comprometidos com os trabalhos de ação social, Paglia dá uma guinada nas posições mais intransigentes de sua Igreja por causa do escândalo que representa o fato de que, ainda hoje, haja países que condenam à morte os homossexuais ou os castigam como réus de um dos mais graves crimes que podem ser cometidos. “Em vários países a homossexualidade é considerada um crime. É preciso combater isso. É claro que é preciso garantir os direitos individuais”, disse na entrevista coletiva, antes de expressar sua “total oposição” a essas formas de discriminação em países do Oriente Médio e da África.