Por: Jonas | 24 Mai 2013
O arcebispo Óscar Arnulfo Romero (pintura) foi explicitamente citado no comunicado, de poucas palavras, divulgado pela Santa Sé, após o encontro entre o papa Francisco e o presidente de El Salvador, Carlos Mauricio Funes Cartagena, ocorrido, nesta manhã, no Vaticano. Se era preciso um empurrãozinho para acelerar a causa de beatificação do religioso assassinado pelos esquadrões da morte, em 1980, hoje chegou pontualmente. E não veio somente através de uma declaração de alguma pessoa autorizada, mas com uma frase escrita num documento de enorme importância, como são os comunicados divulgados ao final das audiências com os chefes de Estado, no Vaticano.
A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada no sítio Vatican Insider, 24-05-2013. A tradução é do Cepat.
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| Fonte: http://goo.gl/xoGsI |
“Durante as conversas cordiais – lê-se na nota –, ambas as partes expressaram sua satisfação pelas boas relações existentes entre a Santa Sé e o Estado de El Salvador. Em especial, o diálogo centrou-se na pessoa do Servo de Deus, dom Óscar Arnulfo Romero e Galdámez, que foi arcebispo de San Salvador e na importância de seu testemunho para toda a nação”.
Como é bastante raro ler uma menção a uma figura específica, nesta forma de comunicado, é possível afirmar que, em El Salvador, esperam com ansiedade a beatificação de Romero. Isso ficou destacado no presente que o presidente Funes ofereceu ao papa Francisco: um relicário com um pedacinho do tecido da roupa que o arcebispo Romero utilizava, em 24 de março de 1980, no dia de seu assassinato.
Após a eleição de Bergoglio, o bispo auxiliar de San Salvador, Gregorio Rosa Chávez (colaborador próximo do arcebispo assassinado), declarou que estava seguro de que o novo Papa considera Romero um mártir. Poucos dias depois, veio a declaração do arcebispo Vincenzo Paglia, que, após uma conversa com o Pontífice, anunciou que a causa de beatificação finalmente tinha iniciado seu curso.
Durante a audiência de hoje, no Vaticano, o Papa e o Presidente salvadorenho falaram sobre a “contribuição que a Igreja oferece para a reconciliação e a consolidação da paz, assim como seu serviço nas áreas da caridade, educação, erradicação da pobreza e do crime organizado. Também tocaram em alguns temas éticos relacionados à defesa da vida humana, o matrimônio e a família”.
É interessante notar que a Igreja em El Salvador se ocupou com empenho no fenômeno das “maras”, as gangues juvenis que combatem pelas ruas. Justamente através da intermediação do capelão militar, dom Fabio Colindres, no ano passado, entrou em vigor uma trégua entre as duas principais gangues; graças a esta trégua se reduziu bastante o número de homicídios no país.
