México assina sua versão dos Pactos de Moncloa

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Por: Jonas | 07 Dezembro 2012

No último domingo, o México fez uma demonstração histórica, inédita, de consenso nacional e unidade de propósito. As principais forças políticas do país assinaram na capital, no Castelo de Chapultepec, o Pacto pelo México, um acordo nacional para o crescimento econômico, o emprego, a competitividade e a inclusão social.

A reportagem é de Luis Prados e Salvador Camarena e publicada no jornal El País, 03-12-2012. A tradução é do Cepat.

Esta versão mexicana dos Pactos de Moncloa, da transição espanhola, que marcará os seis anos que agora começam, inclui quase uma centena de medidas, entre as quais se destaca a reforma educativa, o sinal verde para o investimento privado na Pemex, a abertura à concorrência no setor das telecomunicações, uma lei que coloca limites na dívida dos Estados e o começo da implantação de um sistema de seguridade social universal, cujo primeiro passo será garantir uma pensão aos maiores de 65 anos.

O novo presidente do México, Enrique Peña Nieto, não esperou nem 24 horas para começar a trabalhar na agenda de transformação do país, anunciada na véspera, durante sua primeira mensagem à nação. O líder do Partido Revolucionário Institucional (PRI) assinou, junto com os presidentes das principais forças políticas mexicanas: Gustavo Madero, do Partido Ação Nacional (conservador) e Jesus Zambrano, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, um acordo transcendental para a governança e a prosperidade da nação.

Este pacto apresenta a novidade de responder a um velho anseio da maioria dos mexicanos, que vinha sendo frustrado por interesses de partido, desde os tempos do presidente Ernesto Zedillo (1994-2000). Da mesma forma que o mesmo foi inviabilizado nos anos seguintes, durante os governos de Vicente Fox e Felipe Calderón (2000-2012).

“É o momento do encontro e do acordo”. Com estas palavras Peña Nieto iniciou sua intervenção, durante a cerimônia de assinatura. “É necessário contar com a pluralidade e diferença de visões, ao invés de dificultar a ascensão do México, enriqueçam o projeto de nação que queremos para o século XXI”, continuou. “É um pacto que traz estabilidade, certeza e rumo para o México, que protege os assuntos essenciais das conjunturas político-eleitorais. Pela primeira vez, consegue-se um acordo que não surge da necessidade de enfrentar uma emergência, mas da vontade explícita de transformar o país. O Pacto pelo México é o projeto de país que compartilhamos”, concluiu.

O presidente do PAN, Gustavo Madero, destacou que o México é a 13ª economia por tamanho do mundo e, no entanto, ocupa o 57º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, e o 51º no Índice de Competitividade Internacional. Explicou que “a razão desta lacuna” é por não contar “com um sistema político eficaz, que permita aproveitar as oportunidades de desenvolvimento”. “Esta fragilidade institucional afeta aos mais necessitados e beneficia os poderes fáticos”, acrescentou. O Pacto pelo México, em sua opinião, é “uma oportunidade nacional”, que oferece remédio para esta situação, fortalecendo o Estado e garantindo uma convivência civilizada.

O chefe do PRD, Jesús Zambrano, enfatizou que o “México precisa de uma mudança profunda”, que acabe com “a desigualdade, a injustiça, a concentração de riqueza e o atraso educativo”, e que o acordo é resultado da constatação de que nenhuma força política pode fazer isso sozinha. Zambrano enviou uma clara e contundente mensagem ao conjunto das forças progressistas mexicanas: “Dizem que nós estamos nos entregando, advertem-nos que este acordo não será cumprido, que nós estamos nos sujando como esquerda. Contudo, é um risco que vale a pena assumir. O PRD está decidido a ser um partido responsável, não apostamos no desastre deste país”.

O acordo, que sofreu modificações até a última madrugada, tinha sido anunciado na quinta-feira (29/11), mas quase afundou por questões internas do PRD, apesar de Andrés Manuel López Obrador já não pertencer e nem ser o líder do partido da esquerda.

O primeiro dia de trabalho, do novo presidente do México, contou com violentos embates entre jovens opositores ao PRI e a polícia, durante a tomada de posse de Peña Nieto. Os protestos foram acompanhados por atos de vandalismo contra comércios e bancos, no centro histórico da capital mexicana. Houve a detenção de 92 pessoas, incluindo 11 menores, e quase uma centena de feridos. Um deles, um professor de 67 anos, veterano ativista, estava entre a vida e a morte no domingo.