Burke, o prelado dos EUA que acabou na reanimação. Ele falava de "microchips" e "fetos nas vacinas"

Cardeal Raymond Burke (Foto: John Briody | Flickr cc)

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17 Setembro 2021

 

O cardeal Raymond Burke não está mais preso a um respirador e saiu da terapia intensiva, mas passou por uma situação bem complicada.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 16-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Quando Francisco falou de um cardeal negacionista hospitalizado com o vírus, a referência parecia transparente. O cardeal ultraconservador estadunidense Raymond Leo Burke, 73, não foi o primeiro cardeal a ficar gravemente doente com a covid. No entanto, em agosto, a notícia de sua hospitalização em Wisconsin, anunciada em seu próprio perfil no Twitter, fez muito barulho devido às posições no mínimo céticas que o cardeal repetidamente expressou durante a pandemia. Imagens eram divulgadas enquanto ele circulava por Roma sem máscara, mas com um rosário. Quem é próximo a ele não aceita a fama de negacionista que o acompanha.

Mas, é claro, suas posições eram inteiramente semelhantes às recorrentes na direita estadunidense, não apenas sobre a covid (em tema de aborto, decidiu negar a comunhão a Biden, definiu os democratas como "o partido da morte"). Durante uma conferência em maio do ano passado, disse que "a vacinação não pode ser imposta de forma totalitária aos cidadãos". E citou a desconfiança daqueles que temem “uma espécie de microchip que deve ser colocado sob a pele de cada pessoa, para que a qualquer momento possa ser controlada pelo estado quanto à sua saúde e outras questões que só podemos imaginar”. Em qualquer caso, havia acrescentado, “deve ficar claro que nunca é moralmente justificado desenvolver vacinas através do uso de linhagens celulares de fetos abortados”, repropondo uma objeção desmentida pela própria Congregação para a Doutrina da Fé. Tudo isso enquanto, Francisco, que foi imediatamente vacinado (primeira dose em 13 de janeiro, reforço em 3 de fevereiro), várias vezes repetiu que "vacinar-se é um ato de amor a si mesmo e a todos". Não que fosse a primeira discordância. Nos últimos anos, o cardeal Burke se destacou como o adversário mais tenaz de Francisco, entre os cardeais. Em 2016 estava entre os signatários dos Dubia contra as aberturas de Bergoglio para divorciados e novamente casados e defendia um "ato formal" para "corrigir o Papa".

 

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