Dicionário da Querida Amazônia. Em busca da “harmonia pluriforme”

Foto: Vatican Media

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29 Julho 2021

 

"Em vista da recepção das propostas deste evento sinodal - podemos percorrer estes verbetes, que nortearam a busca de novos caminhos para a Igreja e as propostas de uma ecologia integral, o Sínodo para a Amazônia. Afinal, a Exortação pós-sinodal Querida Amazônia é resultado de uma caminhada da Igreja e, ao mesmo tempo, o início de um caminho a ser trilhado por todos", escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul e mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ao comentar o livro Dicionário da Querida Amazônia: em busca da “harmonia pluriforme”: 40 palavras-chave da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia, do Papa Francisco, no horizonte do Documento Final do Sínodo dos Bispos para a Amazônia (Paulus, 2021, 168 p.), de autoria de Paulo Suess.

 

Eis o artigo.

 

A Amazônia é a terra das grandes diversidades socioecológicas e distâncias geográficas. É um território plurinacional interligado, um grande bioma partilhado por nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa. Sua população é estimada em 33.600.000 de habitantes, dos quais entre 2 e 2,5 milhões são indígenas. Representa uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta Terra, que hoje é disputada por interesses comerciais, por mentalidades extrativistas e por aventureiros em busca de um novo Eldorado.

Imagem: Capa Querida Amazônia | Foto: Arquivo Pessoal

Frente a isso, somos colocados diante de uma pergunta: Qual é o papel da Igreja local e universal em defesa dessa Amazônia? O Sínodo da Amazônia realizado entre os dias 6 e 27 de outubro de 2019, com o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, procurou dar a essa pergunta o início de uma resposta. No final do Sínodo, as conclusões da Assembleia foram votadas e compiladas em um Documento Final, que foi entregue ao Papa Francisco. Este deu a sua ressonância ao evento sinodal através de uma Exortação Apostólica Pós-Sinodal que denominou: “Querida Amazônia”.

 

A Exortação Apostólica Querida Amazônia, do Papa Francisco, se inscreve no gênero literário de uma “Carta de Amor” dirigida aos povos da Amazônia e do mundo. Nas quatro partes de sua carta, o papa fala com a sua amada Amazônia de quatro sonhos que procuram antecipar novas realidades e horizontes concretos nos campos social, cultural, ecológico e eclesial e, correspondem, em grande parte, às cinco conversões do Documento Final do Sínodo: a conversão integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal.

Para facilitar e tematizar a leitura dessa Exortação Apostólica, Dr. Paulo Suess - atualmente assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e administra cursos para a base missionária em vários países, organizou o Dicionário da Querida Amazônia (Paulus, 2021, 168 p.), através das quarenta (40) palavras-chave que emergem do documento.

O referido autor esclarece que na exortação Querida Amazônia, o Documento Final do Sínodo não é explicitamente citado. Mas Francisco apresenta o Documento Final de modo oficial e convida a lê-lo integralmente e atesta a seus autores um bom conhecimento da problemática da Amazônia. Por isso, a exortação Querida Amazônia deve ser articulada com o Documento Final do próprio Sínodo dos Bispos para a Amazônia.

Paulo Suess procura expressar essa vinculação – que pode ser complementação, correção ou confirmação dos dois textos neste Dicionário, colocando na frente de cada palavra-chave da exortação do papa um trecho do Documento Final do Sínodo dos Bispos. Portanto, são apresentadas 40 palavras-chaves da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia, do Papa Francisco, no horizonte do Documento Final do Sínodo dos Bispos para a Amazônia.

Eis as palavras-chave compiladas por Paulo Suess: 1) água (p. 21-23); 2) Amazônia (p. 24-27); 3) anúncio (p. 28-31); 4) caminho/sínodo (p. 31-34); 5) colonização (p. 35-37); 6) comunidade (p. 37-41); 7) criação (p. 41-44); 8) cultura (p. 44-48); 9) Deus (p. 48-52); 10) diálogo (p. 52-55); 11) ecologia (p. 55-58); 12) encarnação (p. 58-61); 13) encontro (p. 61-63); 14) Espírito Santo (p. 63-67); 15) espiritualidade (p. 67-69); 16) eucaristia (p. 69-72); 17) evangelização (p. 72-75); 18) história (p. 75-78); 19) identidade (p. 78-81); 20) Igreja (p. 81-85); 21) inculturação (p. 85-89); 22) indígenas (p. 89-92); 23) Jesus Cristo (p. 92-96); 24) justiça (p. 96-99); 25) leigos (p. 99-102); 26) ministérios (p. 103-105); 27) missionário/missão (p. 105-109); 28) mulher (p. 109-112); 29) mundo (p. 112-116); 30) natureza (p. 116-119); 31) pobre (p. 119-122); 32) realidade (p. 122-126); 33) sacerdote (p. 127-130); 34) santidade (p. 130-132); 35) sentido (p. 133-136); 36) social (p. 136-139); 37) sonho (p. 139-141); 38) terra/território (p. 141-145); 39) valores (p. 145-149); 40) vida (p. 149-152).

***

Vivemos o tempo de recepção das orientações da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia. E a recepção é um processo de construção. A Constituição Apostólica Episcopalis Communio ressalta que o ponto de chegada das conclusões sinodais é sua recepção inculturada no povo de Deus.

Em vista da recepção das propostas deste evento sinodal - podemos percorrer estes verbetes, que nortearam a busca de novos caminhos para a Igreja e as propostas de uma ecologia integral, o Sínodo para a Amazônia. Afinal, a Exortação pós-sinodal Querida Amazônia é resultado de uma caminhada da Igreja e, ao mesmo tempo, o início de um caminho a ser trilhado por todos – insistindo e avançando na descolonização da pastoral amazônica, propondo linhas prioritárias como a encarnação da realidade, evangelização libertadora, formação de agentes de pastoral, comunidades cristãs de base e pastoral indígena.

Certamente, este Dicionário quer estar a este serviço. As palavras aqui selecionadas em ordem alfabética oferecem um caminho de compreensão deste evento, possibilitando a abertura de muitas portas sobre seu significado.

 

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