Bispo alemão insiste que é tempo para a Igreja se desculpar com os homossexuais

Foto: Pixabay

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15 Julho 2021

 

Dom Felix Genn, de Münster, Alemanha, disse que os líderes católicos têm machucado gays e lésbicas com palavras e gestos.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por La Croix, 14-07-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Um dos mais antigos bispos alemães católicos fez um chamado à Igreja oficial para que peça desculpa pela forma que seus pronunciamentos “ao longo dos anos e décadas” profundamente machucou os homossexuais.

Dom Felix Genn, de Münster, disse ao jornal diocesana Kirche und Leben na última semana que o grupo de língua alemã da Assembleia do Sínodo dos Bispos de 2014 e 2015 submeteu uma declaração para o documento final do Sínodo que continha tal desculpa.

“O texto não foi incluído por fim, mas até eu sei, um pedido de desculpas está sendo discutido no Caminho Sinodal”, ele afirmou.

Não ficou claro se ele estava se referindo ao atual Caminho Sinodal alemão (der synodale Weg), ou à próxima Assembleia Geral dos Sínodos dos Bispos, agendada para outubro de 2023.

Em todo caso, o bispo de 71 anos disse que ele “estaria muito feliz se estivéssemos aptos para discutir a forma de se desculpar com os homossexuais”.

Genn, que foi ordenado bispo em 1999, é atualmente o terceiro bispo mais antigo à frente de uma diocese alemã. Somente Reinhard Marx, de Munique (ordenado bispo em 1996), e Franz-Josef Bode, de Osnabrück (1991), são bispos há mais tempo.

 

“Eu estou totalmente ao lado das mulheres”

Dom Genn também discutiu o papel das mulheres na Igreja, dizendo que ele entende totalmente que muitos católicos tem uma dificuldade em entender por que mulheres não podem ser ordenadas sacerdotes.

Ele disse que é compreensível, em uma sociedade claramente caracterizada pela ideia da equidade e igualdade de direitos, que o ensino da Igreja em proibir a ordenação de mulheres tenha tão forte resistência.

“Por tão preocupado com a equidade, eu estou totalmente ao lado das mulheres”, disse o bispo.

Ele disse repetidamente que deixou isso claro durante os encontros no Vaticano que ambas questões — ordenação de mulheres e bênçãos de homossexuais — são mais que questões de moral ou dogmática.

Dom Genn vai a Roma com frequência, como membro alemão da Congregação para os Bispos. Ele é também um dos únicos dois membros dessa pasta-chave do Vaticano que não é cardeal ou arcebispo.

 

“Nós não queremos deixar a Igreja universal”

Ele disse que o Caminho Sinodal alemão frequentemente vem à discussão e encontra ceticismo de alguns bispos e autoridades que estão sempre curiosos em saber sua opinião sobre o procedimento alemão.

“Minha resposta sempre foi: nós não queremos deixar a Igreja universal. Nós queremos permanecer católicos”, disse Genn.

“Mas nós queremos criar um espaço para abertura completa de discussão de questões cruciais que estão sobre a mesa. E isso deve acontecer sinodalmente — ou seja, ouvindo tanto os fatos e as emoções que elas desencadeiam, como também os fatos da tradição da Igreja e do consenso e dissidência da Igreja universal. Veremos então para onde o Espírito nos conduz”, acrescentou.

O bispo, que lidera a diocese de Münster desde o início de 2009, disse que a ideia de criar um espaço para discutir abertamente questões candentes foi recebida com grande aprovação na Igreja alemã.

 

O único alemão na Congregação para os Bispos

Quanto à necessidade de realizar um concílio geral ou ecumênico, dada a rapidez com que o mundo está mudando, Genn disse que é “bem possível que talvez o Papa Francisco” já esteja contemplando tal reunião, uma vez que certas questões requerem discussão global da Igreja.

O bispo disse que sua experiência como membro da Congregação para os Bispos e participante das assembleias sinodais mostrou-lhe que existe um “perigo real de que nós, alemães, sejamos vistos como membros da Igreja global que aparentemente sempre sabem tudo melhor do que os outros”.

Ele advertiu que seria “fatal” e “altamente perigoso” se os católicos alemães dessem a impressão de que sabem melhor como proceder com a reforma e que o resto da Igreja deve “chegar lá em algum momento”.

Dom Genn disse que a Igreja na Alemanha deve ouvir mais atentamente “e com toda a modéstia” a Igreja universal, visto que esta pode realmente ter as respostas teologicamente qualificadas para algumas das perguntas que os católicos alemães estão fazendo.

“Foi o que aconteceu no Concílio. E é o que deve acontecer hoje”, destacou.

“Em todo caso, é fabuloso que o Papa Francisco esteja ampliando o que nós (na Alemanha) chamamos de ‘Caminho Sinodal’ em um procedimento mundial no qual todos podemos aprender o que significa ser uma Igreja sinodal”, disse ele.

 

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