Com o Papa retorna o diálogo sereno sobre China e direitos

Registro da audiência do Papa com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken (Foto: Vatican Media)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Junho 2021

 

"A atmosfera cordial do encontro entre o Papa e Blinken foi diametralmente oposta à tempestuosa visita ao Vaticano de seu antecessor Mike Pompeo, que não foi recebido pelo Pontífice”. No pano de fundo da cisão na Igreja dos Estados Unidos em relação à negação da comunhão a Biden, um alto prelado do Vaticano descreve assim a conversa de ontem entre Francisco e o Secretário de Estado estadunidense, que marca uma clara descontinuidade das tensas relações diplomáticas da Santa Sé com a presidência Trump.

A reportagem é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 29-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nos 40 minutos do encontro, foram abordadas questões espinhosas - e potencialmente divisórias - como aquelas sobre a China. E foi reafirmado "o compromisso comum de promover a liberdade religiosa". Sempre em um clima "absolutamente tranquilo", conforme garantem o próprio Antony Blinken e a Santa Sé.

A questão de Pequim foi abordada depois que a diplomacia do Vaticano anunciou nos últimos dias que olha com preocupação o que está acontecendo em Hong Kong. Após um longo período de silêncio vaticano, que tinha acentuado o distanciamento das opiniões sobre as relações com a República Popular da China - adversária para Washington, interlocutora do acordo provisório sobre a nomeação de bispos para a Santa Sé – eis agora a declaração do "ministro das Relações Exteriores": "Hong Kong é objeto de interesse para nós. Podemos dizer palavras apropriadas que serão apreciadas pela imprensa internacional e em muitos países, mas não estamos convencidos de que poderiam fazer alguma diferença”.

Depois da cúpula de ontem, o nó com a China permanece, as perspectivas continuam distintas, mas um pouco menos distantes. A marcha a ré dos bispos estadunidenses, que renunciaram a negar a comunhão a Biden justamente na véspera da viagem de Blinken, "evitou qualquer constrangimento no encontro com o Papa”, assegura um monsenhor. Afora alguns acenos, o assunto não teria sido aprofundado. Bergoglio e o chefe da diplomacia dos Estados Unidos conversaram sobre pandemia, destacando a necessidade de ampliar a distribuição das vacinas. Sobre ecologia e imigração. Sobre o dossiê do Oriente Médio e "das crises humanitárias no Líbano, na Síria, na região etíope de Tigré". E depois a Venezuela: Blinken garantiu o apoio da Casa Branca às negociações para a reconciliação e a democracia em Caracas.

 

Leia mais