Pastor negro pede que Igreja Metodista troque de logo

Logo da Igreja Metodista. (Foto: Reprodução | Wikipédia)

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01 Outubro 2020

A Conferência da Igreja Metodista Unida (UMC, a sigla em inglês) do Norte do Texas aprovou moção solicitando que a denominação nacional substitua seu logotipo – a cruz ladeada por duas labaredas de fogo – por entender que ele é, embora não intencional, racialmente insensível

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

A campanha pela alteração do logo partiu do reverendo negro Elden Cowley, da Igreja Metodista Unida em Trophy Club, Texas, perto de Dallas. Em artigo publicado em periódico da denominação, o UM News, em julho, ele relatou a experiência vivida em 1979, quando tinha 10 anos de idade, e viu, na estrada, uma cruz em chamas

Logo da Igreja Metodista. (Foto: Reprodução)

“Minha mãe disse a meu irmão, minha irmã e a mim que a cruz em chamas era uma imagem poderosa concebida para despertar o medo nos negros”, escreveu. Mais, leu no Chicago Tribune matéria detalhando como os Cavaleiros Brancos da Ku Klux Klan em Kansas City, no Missouri, usaram, em 1993, o logotipo da igreja em material impresso. 

Cowley afirmou que respeita o processo criativo dos criadores do logo, que estreou em 1968. “Eu honro a cruz e as duas línguas de fogo, que representam cada uma das duas denominações que se uniram (a Igreja Metodista e a Igreja Evangélica dos Irmãos Unidos). Eu honro a Chama Pentecostal de Atos 2, que também representa o coração de Wesley sendo estranhamente aquecido”. 

O pastor confessou, porém, que não consegue esquecer “aquela cruz em chamas” ao lado da estrada, que era para fazer medo aos negros. Por isso, não pode mais silenciar a respeito. “Desde 1968, os Metodistas Negros pela Renovação da Igreja levantaram sua voz sobre a situação dos afro-americanos dentro de nossa denominação. É nessa veia de dissidência de princípio – e essa recusa em consentir através do silêncio – que declaro, sem remorso, que é hora de uma nova insígnia para a Igreja Metodista Unida”, assinalou. 

E acrescentou: “Se nos preocupamos com o campo missionário e nossos membros tanto quanto dizemos que nos preocupamos, não pode haver outra resposta a não ser: ‘Sim, é hora’. Não deveríamos mais ser representados por uma imagem concebida para evocar o medo na mente de tantos”.

 

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