Venezuela. Comunicado dos Jesuítas: “estamos comprometidos com o acompanhamento, o serviço e a defesa dos refugiados e migrantes”

Foto: Venezuela Commons

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20 Julho 2020

“É obrigação do Estado gerar os mecanismos adequados para que todos tenham uma oportunidade de entrada digna no país, pois o retorno de nossos compatriotas constitui um direito humano e constitucional; e evita que as pessoas fiquem expostas às perigosas máfias que lucram com suas passagens nas fronteiras”, afirma Rafael Garrido, em nome dos jesuítas da Venezuela, em resposta a Numa Molina, padre da Companhia que, em vídeo, chamou os venezuelanos que regressavam ao país sem a autorização do governo de bioterroristas.

Eis o comunicado.

Comunicado dos jesuítas da Venezuela

Eu, padre Rafael Garrido, s.j., em minha condição de Provincial da Companhia de Jesus e em nome dos jesuítas da Venezuela, dirijo-me à opinião pública para emitir o seguinte comunicado:

1. A Companhia de Jesus rechaça os termos pejorativos utilizados por um religioso desta Congregação, com os quais referiu-se aos migrantes em situação de retorno ao país, pois ofendem a dignidade humana dos irmãos venezuelanos que regressam ao país em condição irregular devido aos controles desmedidos impostos pelo Executivo Nacional, inclusive antes da pandemia de covid-19.

2. Esta atitude não corresponde às Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus, que apontam expressamente: “Confirmamos nosso compromisso na atenção aos migrantes, deslocados, refugiados, vítimas de guerras e do tráfico de pessoas; a defesa da cultura e existência digna dos povos originários. Estamos dispostos a seguir contribuindo para criar as condições para sua acolhida humana, acompanhá-los no processo de integração na sociedade e promover a defesa dos seus direitos”.

3. Nós jesuítas estamos comprometidos com o acompanhamento, o serviço e a defesa das pessoas em movimento, refugiados e migrantes. Em nosso país atendemos estas realidades através de nossa presença nas fronteiras, valendo-nos de obras apostólicas como paróquias, o Serviço Jesuíta para Refugiados (JRS, por suas siglas em inglês), universidade e colégios de Fé e Alegria, os quais levam adiante esta missão com um grande esforço e muita generosidade.

4. Ainda, convidamos os porta-vozes oficiais do governo a evitar termos discriminatórios que promovam a rejeição e a violação dos direitos consagrados na Constituição Nacional e no direito internacional. É obrigação do Estado gerar os mecanismos adequados para que todos tenham uma oportunidade de entrada digna no país, pois o retorno de nossos compatriotas constitui um direito humano e constitucional; e evita que as pessoas fiquem expostas às perigosas máfias que lucram com as passagens nas fronteiras. Ademais, é um dever cristão recebê-los, porque é importante que se possa oferecer um tratamento digno e adequado às circunstâncias, pois são pessoas que vêm em condições de precariedade e vulnerabilidade agudizadas pela pandemia e pelos riscos de contágio da covid-19.

5. Ratificamos nosso compromisso, solidariedade e proximidade com as pessoas que buscam retornar ao país, assim como com todo o país em meio a esta complicada situação, na qual todos devemos tirar o melhor de nós mesmos para superá-la.

Que a Virgem do Carmo nos encaminhe ao encontro com os mais necessitados para em tudo Amar e Servir.

Rafael Garrido, s.j.
Provincial

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