A afinidade católica com a família imperial japonesa. Francisco se reúne com Naruhito, o novo imperador do Japão

Foto: Vatican Media

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26 Novembro 2019

No começo de 1933, o Pe. Vladimir Ghika se preparava para um novo encontro com Shinjiro Yamamoto, quem o apresentaria ao imperador Hirohito, do Japão.

A amizade entre o padre romeno e este oficial militar católico japonês tinha sido forjada em Roma, quando os dois trabalharam para convencer o Vaticano de olhar para os católicos belgas na Alemanha.

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada por La Croix International, 25-11-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O imperador confiava plenamente em Yamamoto, quem lhe havia ensinado francês e que o havia apresentado a Bento XV quando ainda era Príncipe Corado. Quando conheceu o padre romeno, o diálogo rapidamente tomou um rumo pessoal, com Hirohito confidenciando a sua preocupação com que a linhagem imperial fosse frustrada em decorrência de ele não ter um filho.

Ghika então sugeriu orar por Hirohito e abençoá-lo, o que este aceitou.

Qual foi o milagre deixado por aquele que morreu mártir em 1954 em uma prisão romena, tendo sido beatificado em 2013? Nove meses depois, um filho nasceu: o futuro imperador Akihito, que abdicou do posto em 30 de abril deste ano.

A amizade com Giuseppe Pittau

Hirohito também estabeleceu relações diplomáticas entre o Japão e a Santa Sé em 1942.

A abertura por vir dos arquivos do pontificado de Pio XII poderá esclarecer se este teve influência no encerramento do impasse entre o Japão e os Aliados e na abertura das negociações que poriam fim à Segunda Guerra Mundial.

Embora o imperador do Japão não mais seja um deus, ele é aquele a quem os japoneses ainda chamam de "o soberano dos céus" e o qual consideram o "descendente direto da deusa do sol". A instituição igualmente ainda mantém uma forte afinidade com o catolicismo.

Nos anos de Hirohito, o jesuíta italiano Giuseppe Pittau foi missionário por trinta anos no Japão antes de ser chamado a Roma para ser reitor da Gregoriana e, depois, secretário da Congregação para a Educação Católica. Durante os anos de Pittau no país, ele frequentemente ia ao Palácio Imperial para debates com o imperador, que inclusive o condecorou com a Ordem Chrysanthemum, a mais alta distinção japonesa e muito raramente concedida a estrangeiros.

Católicos na Família Imperial

Alguns membros da família imperial são católicos, entre eles a princesa Nobuko de Mikasa, esposo do primo de Akihito.

A ex-imperatriz Michiko, esposa de Akihito, vem de uma família católica e passou os anos escolares colégios de freiras, especialmente do Sagrado Coração, cujas escola secundária e universidade acolhem a burguesia de Tóquio.

Michiko é plebeia e nunca se batizou, apesar da formação em escolas católicas, o que levou alguns grupos tradicionalistas a se oporem ao casamento com o Príncipe Coroado.

Quanto à atual imperatriz Masako, ela foi para Congregação (francesa) de Saint Maur, fundada pelo padre Nicolas Barré. Desde então, o imperador e a esposa mantiveram-se próximos aos muitos amigos católicos que continuam frequentando o palácio.

A renúncia de Bento XVI... a abdicação de Akihito

"A família imperial deve ser xintoísta porque o imperador é a sua mais alta autoridade, mas isso não impede uma grande abertura para com o cristianismo", resumiu um especialista para quem a abdicação de Akihito teria relação com a renúncia de Bento XVI.

Na verdade, foi logo depois da decisão de Bento de renunciar que o imperador começou a pensar sobre a sua própria abdicação.

Foi como se um tivesse influenciado o outro nesta decisão sem precedente para os últimos dois monarcas de direito divino no mundo.

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