“Cadê o Amarildo?”: desaparecimento de pedreiro completará seis anos sem respostas

Companheira de Amarildo, Elizabeth Gomes da Silva segura foto do ajudante de pedreiro em protesto (Foto: Agência Brasil)

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18 Junho 2019

Símbolo do abuso de autoridade e da violência policial, caso na Rocinha expôs a falência das UPPs, afirma pesquisador. 

A reportagem é de Eduardo Miranda, publicada por Brasil de Fato, 17-06-2019.

Símbolo do abuso de autoridade e da violência policial, o desaparecimento de Amarildo de Souza completa seis anos no próximo 14 de julho. O ajudante de pedreiro, de 43 anos, foi levado da porta da sua casa, na Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, para uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do bairro e nunca mais foi encontrado.

O caso Amarildo ganhou repercussão mundial, com cobranças feitas pela Anistia Internacional e outros órgãos de direitos humanos, além da imprensa de outros países. No Brasil, além da mobilização de movimentos populares, artistas como Caetano Veloso, MV Bill e Wagner Moura também pediram explicações.

A reverberação da pergunta “Cadê o Amarildo?” dá nome ao livro recém-lançado do jornalista e sociólogo Leandro Resende, que investiga a relação entre o desaparecimento do pedreiro e as UPPs implementadas em diversos bairros do Rio a partir de 2008 pelo então governador Sérgio Cabral (MDB).

Em conversa com o Brasil de Fato, Leandro Resende sustenta que o desaparecimento do morador da Rocinha fez com que a história das UPPs nunca mais fosse a mesma e que o projeto de segurança pública começasse a perder credibilidade e ser abandonado pelo Estado.

“O caso do Amarildo serviu como gatilho para que vítimas de violência policial em áreas pacificadas viessem à tona denunciar esse arbítrio. Não houve aquela política de pacificação diferente que Cabral passou a sugerir, ela nunca existiu. Mesmo as bases teóricas da UPP são contraditórias, a própria ideia de polícia pacificadora é uma contradição em termos”,  explica.

Resende afirma, ainda, que as inúmeras vezes em que o caso Amarildo é acionado mostra que ele é um marco na história da violência policial no Rio de Janeiro. Ele menciona as referências na fala da mãe de Paulo Roberto Pinho de Menezes, jovem de 18 anos espancado até a morte pela polícia, na favela de Manguinhos, em 2013, e também pronunciamentos de autoridades após a morte da vereadora Marielle Franco.

“Em 2013, na morte do Paulo Roberto Pinho de Menezes, a mãe dele vem a público para dizer que não queria que o filho dela se tornasse um novo Amarildo. Em 2018, o ex-ministro Carlos Marun diz que não queria que a morte da vereadora Marielle Franco se tornasse um caso Amarildo. Segundo ele, o caso Amarildo desmoralizou a história das UPPs e ele não queria que a morte de Marielle desmoralizasse a intervenção federal”, complementa. 

Acusação 

A pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro, o Tribunal de Justiça arquivou na última quinta-feira (13) a investigação contra 13 policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) suspeitos de ocultarem o corpo de Amarildo. Segundo o MP, a investigação contra os agentes não avançou.

Em 2015, o Jornal Nacional exibiu um vídeo mostrando os policiais deixando a Rocinha, no dia do crime, com um volume não identificado na caçamba de um carro. No documento em que pede o arquivamento, o MP afirma que o exame de DNA de vestígios de sangue encontrados no carro não é compatível com o de parentes de Amarildo.

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