Papa considera que trazer à tona os casos de abusos sexuais ajuda a “limpar” a Igreja católica

Foto: Pixabay

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17 Agosto 2018

O relatório do Grande Júri do estado da Pensilvânia, que traz à tona abusos sexuais cometidos por 300 sacerdotes a mil menores de idade nos últimos 70 anos, “ajuda, de fato, a Igreja, se considerarmos a Igreja como o povo de Deus”, comentou na terça-feira o dominicano norte-americano Thomas Doyle, especialista em Direito Canônico e um dos peritos consultados na investigação.

A reportagem é de Juan Vicente Boo, publicado por ABC, 16-08-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

A antiga linha de encobrimento dos fatos não só é contrária ao Evangelho e autodestrutiva, como também uma desobediência clara às indicações de “limpar a casa”, dadas em 1993 por João Paulo II, em sua carta aos bispos dos Estados Unidos, na qual recordava as palavras de Jesus: “Melhor seria se lhe amarrassem no pescoço uma roda de moinho e o lançassem ao mar”.

Como muitas dioceses não lhe deram atenção, o Papa polaco teve que chamar até Roma, em 2002, todos os cardeais norte-americanos e a cúpula da conferência episcopal para reiterar que “não há lugar no sacerdócio nem na vida religiosa para quem faz mal aos jovens”.

Começaram os processos, e o pontificado de Bento XVI (2005-20013), o Papa alemão, baniu do sacerdócio mais de oitocentos destes delinquentes, assim como alguns bispos, quase todos por abusos cometidos 30 ou 40 anos antes.

Os bispos norte-americanos assinaram em 2002 a “Carta de Dallas”, um dos melhores protocolos de proteção a menores no mundo, que incluem desde a comprovação regular de antecedentes criminais de todas as pessoas que trabalham em paróquias, escolas, hospitais, universidades, etc., até os escritórios – geridos por leigas e leigos – responsáveis em cada diocese de receber as denúncias, ajudar as vítimas e seus pais, e passar para a polícia os indícios confiáveis de crimes para investigar paralelamente, a menos que as autoridades peçam prioridade exclusiva.

No recente documentário “Papa Francisco, um homem de palavra”, o cineasta Wim Wenders suscita o tema e Francisco responde: “Diante da pederastia, tolerância zero. Os bispos devem remover da função sacerdotal os padres que têm essa doença, e inclusive acompanhar a denúncia dos padres nos tribunais civis. Tolerância zero porque é um crime”.

A esmagadora maioria dos casos dos últimos 70 anos na Pensilvânia é muito antiga. Muitos culpados faleceram e quase todos os crimes prescreveram, fato pelo qual serão processados somente dois sacerdotes. 

No entanto, para a disciplina interna da Igreja eles não prescrevem. No último mês de julho, o Papa expulsou do cardinalato o ex-purpurado norte-americano Theodore McCarrick, de 88 anos, e antigo arcebispo de Washington, que havia sido suspenso no mês anterior de qualquer atividade sacerdotal e intervenção em público, por abusos a coroinhas 45 anos antes, que não haviam sido denunciados até agora.

Francisco já está há seis meses ajudando o Chile a fazer a “limpeza” de “abusos de consciência, de poder e sexuais”, e de seu encobrimento pelo clericalismo autodestrutivo. Se a justiça ajudar, melhor ainda.

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