Ladaria afirma que a reforma ainda não chegou à Congregação para a Doutrina da Fé

Dom Luis Ladaria Ferrer | Foto: CPAL SOCIAL

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13 Março 2018

Em uma entrevista concedida ao Vatican News, dom Luis Ladaria Ferrer, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, fala sobre o significado e a importância da sua colaboração com o Papa Francisco.

A missão pastoral da Congregação para a Doutrina da Fé, a obediência ao Papa, o ensinamento e o exemplo de Francisco: esses são alguns dos temas abordados pelo prefeito na conversa.

A entrevista é publicada por Vatican News, 10-03-2018. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Qual é o significado mais importante no fato de ser prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé no pontificado do Papa Francisco?

Para mim, é uma questão puramente de obediência. O Santo Padre me pediu isso e pensei que se o Santo Padre me pedia isso eu tinha que aceitar. E não pensei mais nisso; realmente, não. Não fiz outras considerações.

Você, assim como o Santo Padre, é jesuíta. Isso é importante para compreender e colaborar com o Papa Francisco?

Certamente é uma ajuda, porque pode haver uma sintonia em muitos aspectos e uma formação, que não direi que foi comum porque não foi, mas sempre os mesmos valores, insistindo nos mesmos problemas, nas mesmas questões. E sim, pode haver maior harmonia, maior compreensão, maior facilidade para a colaboração. Mas eu quero acrescentar que isso é acidental. O Papa é o Papa; antes de ser jesuíta, ele é o Papa. Então, pois, é colaborar com o Papa.

No encontro com a Congregação para a Doutrina da Fé em janeiro, Francisco enfatizou a missão com um rosto eminentemente pastoral de sua Congregação da teologia. Quão importante é este elemento eminentemente pastoral da teologia?

O Papa tem muita razão, porque se temos como função promover e defender a fé, obviamente, a promoção da fé tem a ver com o anúncio, é algo eminentemente pastoral. Defender também a fé, porque se em algum momento a fé estiver ameaçada por uma razão ou outra, também a sua defesa é algo eminentemente pastoral. A fé é algo que nos leva à salvação, certo? E, por conseguinte, tudo o que promover, defender a fé, é eminentemente pastoral.

Sem esquecer que temos uma responsabilidade no campo disciplinar. E também aqui, não é indiferente para a vida da Igreja que estes casos, muitas vezes tristes, com os quais nos encontramos, também sejam tratados com justiça e sejam tratados com a própria percepção de que isso também afeta a vida de fé das pessoas.

Como sabemos bem, um dos pontos-chave do pontificado de Francisco é a reforma da cúria. O quanto esse processo, iniciado pelo Papa Francisco, impacta a vida da Congregação para a Doutrina da Fé?

Certamente, esse processo é muito importante para o Papa. Eles ainda não nos deram nenhuma indicação concreta. Quando o fizerem, certamente vamos cooperar com tudo o que nos pedirem e colaboraremos com toda lealdade, como sempre fazemos, com o Papa Francisco.

Estamos perto do quinto aniversário da eleição de Francisco para a Cátedra de Pedro. Qual é o dom mais importante que este pontificado, a figura do Papa Francisco, está oferecendo para você como sacerdote, como bispo e como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé?

Retomemos a frase anterior: um rosto eminentemente pastoral que a Congregação deve ter, que todos nós devemos ter. Como sacerdotes, devemos sempre ouvir o que o Povo de Deus nos diz, sempre ouvir suas preocupações e viver perto deles.

E esta é a lição que o Papa Francisco nos dá com sua forte insistência: “os pastores devem estar perto das ovelhas”, nesta metáfora que vem do Evangelho e que precisa ser bem compreendida. Sempre ter essa “proximidade”, que o Papa nos pede e em relação à qual ele nos dá o exemplo. E eu penso que essa é uma coisa que nos ajuda a viver mais pastoralmente.

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