México. Relator da ONU condena violência contra ativistas de direitos humanos

Foto: 24 Horas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: João Flores da Cunha | 31 Janeiro 2017

Os ativistas de direitos humanos no México estão sujeitos a “elevados níveis de insegurança e de violência” em um contexto marcado pelo crime organizado, pela corrupção e pela repressão do Estado. Essa foi a avaliação de Michel Forst, relator especial das Nações Unidas para a situação dos defensores de direitos humanos, ao concluir uma visita oficial ao país. As declarações foram dadas no dia 25-01.

Forst criticou a impunidade, que, segundo ele, é “endêmica” no país, e “se converteu em causa e efeito da insegurança geral dos defensores de direitos humanos no México”. Ela decorre da “taxa ínfima de investigações exitosas e de resolução de crimes cometidos contra defensores de direitos humanos” – apenas 2% desses crimes têm uma resolução satisfatória, segundo o relator da ONU.

A impunidade “alimenta a criminalização dos defensores vinculados a suas atividades legítimas de direitos humanos, o que por sua vez alimenta o medo entre a sociedade civil em geral, debilitando as aspirações gerais dos direitos humanos e o Estado de direito”, de acordo com Forst. Para ele, “a melhor forma de proteção que podem ter os defensores é quando se faz justiça e os perpetradores são chamados a prestar contas”.

O relator da ONU percorreu quatro estados – Estado do México, Guerrero, Oaxaca e Chihuahua – e a Cidade do México entre os dias 16-01 e 24-01. Forst manteve reuniões com mais de 800 defensores de 24 estados. Ele também se encontrou com representantes da Comissão Nacional de Direitos Humanos, além de membros do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

A visita foi a primeira das que estão programadas para a elaboração de seu informe sobre a situação dos defensores de direitos humanos no México. O relatório final deverá ser apresentado em março de 2018 ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão ao qual o cargo de Forst é vinculado.

O relator da ONU também abordou a violência do Estado. Ele disse ter visto documentação de muitos casos “em que o Exército e a Marinha eram os responsáveis por essas atrocidades” contra os ativistas, que são vistos como “inimigos do Estado”.

Forst afirmou que defensores de direitos humanos são criminalizados por seu trabalho, e que há um “padrão de violência contra eles”. Ele denunciou que prisões e detenções arbitrárias são utilizadas “como instrumento para silenciar vozes dissidentes e frear movimentos sociais”.

Recentemente, foi assassinado no estado de Chihuahua o ambientalista Isidro Baldenegro, que defendia os direitos do povo rarámuri. O crime ocorreu no dia 15-01, já em meio à visita oficial do relator da ONU. Por meio do Twitter, Forst disse estar “profundamente indignado” com o assassinato do ativista.

Leia mais: