30 Setembro 2026
Relatos de atraso na entrega, escassez de diesel em áreas rurais do estado gaúcho e dificuldades em postos e distribuidoras fez o Sindipetro-RS cobrar explicações e defender investigação.
A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por ExtraClasse, 29-09-2026.
“A Refap produz diesel mais do que suficiente para abastecer todo o Rio Grande do Sul e ainda parte de Santa Catarina. Demonstramos pelos dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) que a Petrobrás é a única fornecedora de diesel desses dois estados. Uma vez que a Petrobrás tem uma política de estabilidade de preços, não há porque ter alteração imediata no preço em caso de oscilação no preço internacional pois o abastecimento gaúcho não depende de diesel importado”, afirma a presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RS), Miriam Cabreira.
O Sindipetro-RS expôs que, entre janeiro e julho de 2026, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) produziu 18,24 milhões de barris de diesel. No período, o consumo gaúcho foi de 15,40 milhões. Ou seja, a produção superou em 18,5% a demanda estadual.
Em Nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS (Sulpetro) confirmou que o estado detinha diesel estocado no mês de agosto e que distribuidoras de outras regiões do país adquiriram parte do combustível. Além disso, reclamam que não conseguem aumentar a cota de compra de diesel na Petrobras.
“As distribuidoras não estão conseguindo aumentar suas cotas de compra de diesel na Petrobras, gerando a limitação de aquisição de produto da sua própria bandeira e realizando o repasse para os postos de forma fracionada”, diz o Sulpetro. “As dificuldades são maiores para os postos independentes, já que não têm contratos com as companhias, e para os TRR’s (transportadores-revendedores-retalhistas). No mês de agosto, o estado ainda detinha diesel estocado, mas, devido ao melhor custo local em relação às demais unidades da Federação, distribuidoras de outras regiões vieram ao RS adquirir o combustível, diminuindo as reservas gaúchas”.
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Para a presidente do Sindipetro-RS, a venda dos estoques a preços mais altos para outros estados em agosto deste ano gerou o risco no abastecimento.
“Essa é a falta que a BR Distribuidora, a distribuidora estatal que nós tínhamos faz na distribuição. Fica tudo na mão da iniciativa privada. Em pleno cenário de guerra, com o governo e a Petrobrás fazendo esforços pra garantir a estabilidade nos preços e o abastecimento, essas distribuidoras deixam o RS em risco pra ganhar mais em outros estados”, reflete.
Alerta para o RS e para o país
O Sulpetro reforça o alerta para o abastecimento nacional nas próximas semanas: cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina consumidos no país são importados, e 93% do transporte rodoviário para deslocamento de bens de consumo depende dos combustíveis.
Já no RS, a restrição já estaria acontecendo após o recebimento de informações de associados da entidade relatando atrasos no fornecimento em diversos municípios.
“Também há registros para a escassez de gasolina premium por parte das companhias para as revendas. Uma das razões apontadas é o fato de que a gasolina brasileira passou a ter 32% de etanol em sua composição, aumentando a procura pelo tipo premium, que possui 25% de etanol, ocasionando produção insuficiente”, destaca a Nota da Sulpetro.
Mercado global
A nova política do presidente Donald Trump (EUA) de rejeitar um acordo com o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio fez os preços do petróleo subirem quase 3% no Brent, referência internacional, na segunda-feira, 28 de setembro.
A decisão deve influenciar no preço do diesel no Brasil e pode gerar crise de abastecimento no RS. Em resposta, a ANP pode liberar 14 milhões de litros de diesel para aliviar a falta no campo, informa o Jornal Correio do Povo.
Os EUA também avaliam proibir exportações de diesel por um período de 90 dias, para repor os estoques internos do combustível no inverno e conter a alta de preços, de acordo com comunicado presidencial. No último período, 30% do consumo nacional de diesel veio dos EUA. Ainda, o último ataque ucraniano contra refinarias russas no mês de setembro deve piorar o cenário de alta dos preços.
Deputados pedem investigação
A bancada do PT gaúcho na Câmara dos Deputados acionou a Polícia Federal (PF) para investigar o assunto, em 25 de setembro. Representação pede apuração de eventual retenção do combustível, redução injustificada de cotas, limitação seletiva da oferta e atuação coordenada entre agentes econômicos da cadeia de distribuição no Rio Grande do Sul.
Crise energética
Em janeiro deste ano, o país registrou médias em torno de R$ 6,10 a R$ 6,25 o litro. No final de setembro, o diesel S-10 alcançou R$ 7,33 por litro.
Os preços repassados aos consumidores finais se mantiveram estáveis a partir de uma elevação dos subsídios feita pelo governo brasileiro de forma a aliviar o impacto.
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