Agência Espanhola de Proteção de Dados detectou o primeiro ataque realizado por um agente de IA na Espanha

Foto: Rohit Choudhari/Unsplash

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16 Setembro 2026

Em um momento de crescente tensão global em torno da IA, o órgão público anunciou ter recebido sua primeira notificação de violação de dados pessoais, na qual o incidente foi realizado por um agente através de um modelo de linguagem.

A reportagem é publicada por El Diário, 15-09-2026.

A Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) recebeu a primeira notificação de uma violação de dados pessoais em que o incidente foi realizado por um agente de inteligência artificial que utilizou um modelo de linguagem conhecido.

Segundo fontes da AEPD, o agente de IA começou a procurar vulnerabilidades em arquivos genéricos, conseguiu entrar no sistema e, uma vez dentro do sistema, começou a procurar autonomamente vulnerabilidades no aplicativo, que, uma vez encontradas, permitiram modificar dados pessoais e acessar faturas.

O órgão responsável pela proteção de dados pessoais indicou que, antes de se chegar a qualquer conclusão, as informações disponíveis provêm da notificação submetida pela organização afetada e devem ser submetidas à análise correspondente.

Além disso, a utilização de um modelo específico de IA não implica que o modelo ou a infraestrutura do seu fornecedor tenham sido comprometidos, nem que a ferramenta tenha sido concebida para realizar atividades maliciosas, esclareceu a agência.

“O que é relevante do ponto de vista da proteção de dados é que um terceiro teria utilizado um agente de IA como instrumento para encadear com sucesso diferentes fases do ataque”, afirmou a AEPD.

Um sinal significativo

Esta notificação inicial não nos permite afirmar uma tendência estatística, esclareceu ele, embora constitua um sinal significativo de que os ataques apoiados por inteligência artificial deixaram de ser um risco teórico e estão começando a se materializar em incidentes que afetam o processamento real de dados pessoais.

O uso da inteligência artificial em atividades maliciosas não é novidade, e já foi demonstrado que, quando aplicada a um ataque cibernético, essas capacidades podem facilitar a automatização de atividades ilícitas.

De fato, segundo a AEPD, os modelos generativos são usados ​​há muito tempo para escrever mensagens de phishing, traduzir campanhas fraudulentas, personificar identidades, analisar código ou facilitar a busca por vulnerabilidades.

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Uma mudança qualitativa

O surgimento de agentes de IA, no entanto, introduz uma mudança qualitativa, uma vez que um agente pode receber um objetivo, planejar tarefas intermediárias, usar ferramentas, executar código, consultar fontes, interpretar resultados e modificar seu desempenho, de forma autônoma, com base no que encontra.

A agência afirmou que a IA não cria novas ameaças, mas aumenta a velocidade, a escala e a adaptabilidade de técnicas maliciosas conhecidas, reduzindo o tempo disponível para detectá-las e contê-las.

A importância desta notificação, além da tecnologia utilizada, reside na modificação do cenário de gestão de riscos, explicou o diretor adjunto, Francisco Pérez Bes, em uma publicação no blog da Agência.

Em primeiro lugar, confirma-se a necessidade de incorporar expressamente ataques assistidos ou executados por IA nas análises de risco do processamento de dados; não basta incluir uma referência genérica a malware, phishing ou acesso não autorizado, uma vez que essa automação pode modificar substancialmente a probabilidade, a velocidade e o alcance do incidente.

Além disso, torna-se necessária uma revisão dos tempos de resposta, uma vez que os procedimentos concebidos para ataques executados manualmente podem revelar-se insuficientes quando um agente analisa simultaneamente vários ativos, testa diferentes caminhos de acesso e adapta rapidamente o seu comportamento.

Em terceiro lugar, Pérez Bes destacou que a importância das identidades e credenciais digitais está aumentando, uma vez que um agente que obtém uma conta, uma chave ou um token com permissões excessivas pode operar na velocidade da máquina e acessar diferentes serviços antes que a organização detecte o comportamento anômalo.

Por fim, este ataque demonstra que a segurança dos tratamentos não pode depender exclusivamente da intervenção manual e que a supervisão humana continua sendo essencial, mas deve ser apoiada por mecanismos de detecção, contenção e resposta capazes de operar com rapidez suficiente, afirmou o diretor adjunto da Agência.

Em sua opinião, a chegada de agentes de IA na esfera ofensiva deve motivar uma revisão imediata dos modelos de segurança e proteção de dados.

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