Trabalho voluntário religioso no currículo prejudica as perspectivas de emprego

Foto: Imago/Westend61 | Katholisch

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16 Setembro 2026

Segundo um estudo recente, os candidatos a emprego devem omitir qualquer menção a trabalho voluntário religioso dos seus currículos. Esta é a recomendação de um artigo de discussão publicado em setembro pela rede de pesquisa em economia do trabalho IZA Network, sediada no Luxemburgo e vinculada ao LISER. "Declarar trabalho voluntário numa igreja ou mesquita reduz significativamente a probabilidade de avançar no processo de seleção" — tanto para candidatos cristãos como muçulmanos, afirma o artigo.

A informação é publicada por Katholisch, 14-09-2026.

Segundo os pesquisadores, os resultados também podem ser aplicados fora da Bélgica. Em entrevista ao katholisch.de, um dos pesquisadores envolvidos, o economista Louis Lippens, afirmou que outros estudos, inclusive alguns realizados na Alemanha, já demonstraram que características religiosas podem influenciar negativamente o processo de contratação. No entanto, as conclusões do presente estudo podem não se aplicar necessariamente a todos os países. "Pesquisas em outros países não mostram consistentemente que candidatos cristãos e muçulmanos sejam tratados da mesma forma", disse Lippens.

Sob o título "Religião versus Religiosidade: O que importa na contratação?", pesquisadores das universidades belgas de Ghent e Antuérpia, bem como da Universidade Católica de Lovaina, investigaram se existe discriminação religiosa em processos de contratação e, em caso afirmativo, qual o seu tipo, independentemente de fatores étnicos. No experimento, recrutadores belgas avaliaram perfis fictícios de candidatos a uma vaga em aberto em suas próprias organizações. Os perfis incluíam elementos visuais que remetem à religião e atividades de voluntariado que sugeriam uma afiliação religiosa cristã ou muçulmana.

"Fora do convencional"

Resultado: Os candidatos cujas crenças religiosas foram identificadas pelos gestores de RH receberam avaliações mais baixas do que os candidatos cujas crenças permaneceram indefinidas. Essa desvantagem não diferiu entre as atribuições cristãs, muçulmanas e ateístas. A disposição para convidar um candidato para uma entrevista diminuiu ainda mais quanto maior o nível de religiosidade percebido. O trabalho voluntário religioso reduziu significativamente as chances de contratação.

De acordo com o documento de discussão, declarar trabalho voluntário em uma igreja ou mesquita transmite "conexão com uma comunidade fora da corrente principal". O trabalho voluntário em uma organização comunitária estabelecida, por outro lado, melhora a empregabilidade e atenua a discriminação étnica na contratação. Os autores sugerem que esse trabalho voluntário sinaliza "um alinhamento com a maioria", enquanto o trabalho voluntário em uma comunidade religiosa sinaliza o oposto — e que os gestores de RH penalizam essa distância cultural.

Segundo o estudo, os candidatos que professam uma afiliação religiosa são avaliados ainda melhor do que os demais nas áreas de honestidade, humildade, amabilidade e conscienciosidade. "Assim, são atribuídas a eles qualidades relevantes para o trabalho, e mesmo assim são desfavorecidos", concluem os pesquisadores. O que diminui é a expectativa dos gestores de RH de que colegas e clientes estejam dispostos a trabalhar ou interagir com esses candidatos.

O estudo não estabelece uma relação causal entre a cultura laica da Bélgica e as desvantagens enfrentadas por candidatos religiosos, explica Lippens. Embora as normas de trabalho laicas ofereçam uma explicação plausível para os resultados, elas não são suficientes. "O mesmo envolvimento com a igreja pode ser percebido como um trabalho voluntário perfeitamente normal em um contexto e como um indicador de distanciamento cultural em outro", afirma o pesquisador. "Para determinar isso, seriam necessárias mais pesquisas em diversos países e diferentes ambientes de trabalho." 

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