O tempo feliz. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Count Chris/Unplash

Mais Lidos

  • EUA: Conferência Episcopal apresenta parecer jurídico como ‘amicus curiae’ em caso de não discriminação contra LGBTQ+

    LER MAIS
  • ​Sociólogo analisa a conjuntura eleitoral e os possíveis desfechos da eleição de domingo. “Diria que hoje, para sermos mais conservadores na análise, os dois vão para o segundo turno com um viés de alta para o Lula”

    Eleições 2026: “Brasil pode entrar numa rota de conflito interno e de ingovernabilidade radical”. Entrevista especial com Rudá Ricci

    LER MAIS
  • O mundo pós-Trump: a reconstrução da governança ambiental global. Artigo de Carlos Bocuhy

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

19 Setembro 2026

"A recordação - literalmente um 'trazer de volta ao coração', como sugere a etimologia - preserva, acima de tudo, aquelas doces memórias nas quais mergulhamos com saudade", escreve Gianfranco Ravasi, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 13-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

"Não há tormento mais dorido / do que recordar o tempo venturoso / na desgraça". É a voz delicada e angustiada de Francesca da Rimini, falando do abismo infernal para o qual foi lançada após o trágico caso de amor com seu amado Paolo, que profere essa espécie de provérbio. É Dante (Inferno V, 121–123) que coloca essas palavras nos seus lábios, talvez aludindo a um dito semelhante do filósofo latino que ele tanto admirava, Boécio (séculos V–VI). Trata-se de uma verdade que todos nós já experimentamos.

É significativo que o poeta frequentemente faça com que os condenados recordem "a vida serena", "o mundo doce", "a vida bela" e, aqui, "o tempo feliz", agora irremediavelmente perdido. A recordação - literalmente um "trazer de volta ao coração", como sugere a etimologia - preserva, acima de tudo, aquelas doces memórias nas quais mergulhamos com saudade. Como não pensar na obra Em Busca do Tempo Perdido, de Proust? Esse olhar melancólico para o passado abrange todos os acontecimentos, as pessoas e as coisas preciosas que já se desvaneceram.

🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google

O dramaturgo latino Plauto estava convencido de que a pior e mais triste frase que podemos repetir no presente é esta: Habuisse et nil habere, "ter tido e agora não ter nada". Um corolário disso é o arrependimento e, em alguns casos, a consciência de uma culpa ou de ter perdido um afeto que deveríamos ter prezado. Por isso, a recordação torna-se um alerta para não desperdiçarmos as oportunidades que ainda nos restam para fazer o bem e para viver, com mais seriedade e intensidade, os muitos ou poucos espaços de existência que ainda temos pela frente. A recordação, então, deixa de ser um exercício de autocomiseração estéril para se tornar um estímulo a continuar lutando e a superar a escuridão que agora nos atormenta.

Leia mais