Professores palestinos barrados: as escolas cristãs permanecem fechadas. Artigo de Luca Foschi

Foto: Anadolu Ajansi

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08 Setembro 2026

"A diminuição dos sistemas de proteção palestinos e internacionais tem apenas um objetivo: criar as condições para o deslocamento forçado da população, tendo como finalidade a ocupação da Cisjordânia", explica Mohammad Abu al-Roub, porta-voz do governo palestino.

O artigo é de Luca Foschi, jornalista, publicado por Avvenire, 03-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Pelo segundo ano consecutivo, todas as escolas cristãs de Jerusalém foram forçadas a entrar em greve. O início das aulas, previsto para 1º de setembro, foi suspenso em protesto contra a recusa de Israel em conceder autorizações de entrada a mais de setenta professores da Cisjordânia, profissionais essenciais para o desenvolvimento das atividades. O COGAT, órgão que administra os Territórios, informa que concedeu autorização àqueles aprovados pelas agências de segurança. Enquanto isso, mais de 8.500 alunos aguardam em casa a solução para essa decisão que, segundo comunicado divulgado pela Secretaria-Geral das Instituições Educacionais Cristãs por meio da Custódia da Terra Santa, "veio sem aviso prévio".

Na realidade, em 10 de março passado, o Ministério da Educação de Israel enviou uma carta a todas as escolas cristãs de Jerusalém informando que, para o seguinte ano letivo, o ensino seria permitido apenas a docentes com certificação profissional israelense e residentes na cidade. As restrições impostas aos professores palestinos fazem parte de um projeto mais amplo para "israelizar" o sistema escolar nos territórios adquiridos durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967. Por mais de meio século, apesar da pressão constante dos sucessivos governos de Tel Aviv, as escolas de Jerusalém Oriental continuaram a seguir o currículo jordaniano e, após os Acordos de Oslo, na segunda metade da década de 1990, o currículo palestino. Este ano, no entanto, pela primeira vez, o currículo israelense está sendo adotado em todas as turmas do primeiro ano do ensino fundamental, um sistema que, até 15 anos atrás, limitava-se a poucas instituições. Hoje, abrange pelo menos 45.000 estudantes. Eram cerca de 13.000 em 2020. A progressiva inclusão no sistema educacional do Estado de Israel deve-se, em parte, a solicitações das próprias escolas, pressionadas pelas exigências impostas pelo mundo do trabalho, que se tornaram críticas após a construção do muro de separação, no início dos anos 2000, e inevitáveis após 7 de outubro, quando o fluxo de trabalhadores de Jerusalém para a Cisjordânia, e o de palestinos para o mercado de trabalho israelense, foi quase totalmente interrompido.

A imposição do novo currículo, utilizado como instrumento de assimilação para os residentes da área palestina da "capital", foi definida como "um crime cultural e educacional" por Marouf al-Rifai, porta-voz do Governadorado de Jerusalém, segundo o qual a adesão ao currículo palestino representa "uma defesa da memória, da identidade e da história, bem como do direito de construir a narrativa nacional".

A implementação lenta, constante e implacável do plano israelense passa da persuasão para a violência no momento em que se cruza a fronteira. Na segunda-feira, pela oitava vez em um ano, as forças policiais e o exército do Estado de Israel realizaram uma incursão no Centro Profissional de Qalandia (KTC), histórica estrutura da UNRWA situada a poucos quilômetros de Ramallah, no campo de refugiados de mesmo nome, voltado para o maior e mais movimentado posto de controle da Cisjordânia. Qalandia, incluída como "Área C" nos Acordos de Oslo, é reivindicada pelo governo israelense como parte do município de Jerusalém, cuja área começa imediatamente após a labiríntica e opressiva estrutura de fronteira. É uma localização estratégica onde é enaltecido o projeto de apropriação de terras, do trabalho, o cerco exercido sobre as estruturas principais da comunidade palestina. Um grupo de adolescentes observa da rua o veículo blindado israelense que bloqueia a entrada ao KTC. A incursão, iniciada por volta das 8h da manhã, durará mais de uma hora. Essa é a segunda no campo de refugiados em um intervalo de 24 horas; outra ocorrerá mais tarde, à noite. Um homem que, minutos antes, protestava veementemente contra "a ocupação" ajuda, em meio a resmungos sufocados, uma idosa a atravessar a rua que está bloqueada no meio pelo veículo do exército que abriu a passagem entre os fuzis apontados para os transeuntes. O comboio, composto por quatro veículos blindados, segue então na contramão pela pista congestionada de carros, em direção ao posto de controle e a Jerusalém. Dois soldados dentro do veículo riem. A rotina de sempre. Além do grande portão azul do KTC, os restos carbonizados de um incêndio produzido por uma incursão anterior, os objetos espalhados, o lixo e o silêncio dos poucos funcionários que ficaram para vigiar a estrutura.

"A escola forma 340 alunos a cada ano em 15 áreas profissionais distintas. Noventa por cento dos que frequentam o curso conseguem emprego imediatamente. Um milagre, especialmente se considerarmos que, depois de 7 de outubro, pelo menos 150.000 contratos de trabalho de palestinos empregados em Israel foram cancelados."

Como podemos respeitar a data de abertura de 7 de setembro quando as incursões do exército israelense colocam em risco a segurança de alunos e professores? "É claramente um ataque a Qalandia, ao centro, à UNRWA e à educação e ao trabalho dos jovens", explica ao Avvenire um responsável da agência das Nações Unidas, criada em 1948 para proteger a multidão de refugiados palestinos e que, ao longo dos anos, tornou-se um "para-Estado" que hoje garante assistência médica, educacional e financeira a mais de 900.000 pessoas. O fim das contribuições estadunidenses (300 milhões de dólares), retomadas apenas parcialmente durante a presidência de Biden, obriga a UNRWA a operar com os recursos escassos de um déficit constante. Os funcionários reduziram salários e jornadas de trabalho, de maneira semelhante aos empregados da Autoridade Palestina, sufocada pela decisão do ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, de não repassar a Ramallah os cerca de 1,2 bilhão de dólares arrecadados em impostos por Tel Aviv, em atendimento aos acordos de Paris de 1994.

Uma lei de 2024, que penaliza a agência por um suposto conluio com as milícias locais em Gaza, tornou ilegal as atividades da UNRWA no território israelense, forçando-a a sair de Jerusalém. Mais uma vez, também em Qalandia, a "força bruta" se sobrepõe à lei. "Há duas semanas, uma incursão das IDF no campo durou dois dias e meio. Eles fizeram buscas em 300 casas, devastando-as. Por quê? Não sei dizer. Não existe nenhuma razão ligada à segurança", explica um funcionário local da UNRWA, que também é obrigado ao anonimato. "A diminuição dos sistemas de proteção palestinos e internacionais tem apenas um objetivo: criar as condições para o deslocamento forçado da população, tendo como finalidade a ocupação da Cisjordânia", explica Mohammad Abu al-Roub, porta-voz do governo palestino, ao Avvenire. "Esta instalação se tornará uma escola para crianças, a UNRWA não existe mais", afirmou o ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, sentado à mesa do diretor do KTC, falando para a câmera durante a incursão em 25 de agosto. Brutal teatro eleitoral, mas acompanhada por métodos muito mais sofisticados e instrutivos. Em dezenas de escolas israelenses, nos últimos dias, ativistas leais a ele distribuíram milhares de exemplares de "O Ministro que Não Parou", um folheto em estilo história em quadrinhos que exalta suas famigeradas façanhas políticas aos mais pequenos.

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