A Copa do Mundo do planeta: cúpulas sobre terra, biodiversidade e clima

Foto: Nasa/ Unsplash

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26 Agosto 2026

O ciclo de palestras começou em agosto com uma sobre desertificação e terminará em novembro com uma sobre mudanças climáticas. Seu legado depende de se as palestras conseguirem se traduzir em ações concretas.

O artigo é de Alejandra López Carbajal e Andrea Meza Murillo, publicado por El País, 25-08-2026.

Alejandra López Carbajal é diretora de diplomacia climática na Transforma, e Andrea Meza Murillo é secretária executiva adjunta da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação.

Eis o artigo. 

A Copa do Mundo acabou. Os estádios voltaram a ficar silenciosos. Mas agora, e pelos próximos meses, outras partidas começam, cujo resultado definirá muito mais do que um campeonato esportivo: o futuro da biodiversidade, das terras férteis e da estabilidade climática.

A coincidência não poderia ser mais simbólica. Este ano, pela primeira vez, o torneio foi disputado em meio a ondas de calor extremas, pausas para hidratação e incêndios florestais que afetaram jogadores e torcedores. O que aconteceu nos estádios da Copa do Mundo não foi uma anomalia. Pelo contrário, foi um lembrete de que a partida mais importante do mundo está em andamento e, não, não estamos ganhando.

Segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, o mundo perde anualmente uma área de terra fértil equivalente ao tamanho do Egito, e as consequências já são visíveis: perda de produtividade agrícola, aumento da vulnerabilidade a secas e inundações, erosão dos meios de subsistência, deslocamento forçado e instabilidade.

A FAO alerta que, além disso, a cada cinco segundos, uma área de floresta equivalente a um campo de futebol é destruída em todo o mundo. Enquanto lemos isto, mais um campo de futebol desaparece.

Mas este ano traz uma nova oportunidade para os líderes mundiais demonstrarem que estão prontos para agir. As três principais conferências ambientais das Nações Unidas — sobre terra e seca, biodiversidade e mudanças climáticas — ocorrerão no mesmo ciclo político, a partir deste mês: agosto. Esta é uma chance de acelerar e coordenar a implementação dos acordos, regras e metas que já adotamos.

Nas últimas décadas, a comunidade internacional construiu uma sólida estrutura de compromissos. Foi acordado que, até 2030, a perda florestal deve ser interrompida e revertida, pelo menos 30% da superfície terrestre deve ser conservada e a neutralidade da degradação do solo deve ser alcançada — de modo que a restauração da terra seja igual ou superior à perda de terras saudáveis.

Também foi acordado aumentar a resiliência dos países e comunidades a secas cada vez mais severas e frequentes e iniciar uma transição para longe dos combustíveis fósseis. O desafio não é mais identificar o que precisa ser feito, mas sim fazê-lo agora e dentro do prazo.

Para alcançar esse objetivo, talvez precisemos mudar nossa compreensão da cooperação internacional. As três convenções foram estabelecidas com mandatos diferentes e desenvolveram suas próprias instituições, processos e comunidades. Essa especialização tem sido valiosa. Mas as crises que elas buscam resolver não respeitam fronteiras institucionais.

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A perda de biodiversidade, as mudanças climáticas e a degradação do solo compartilham causas profundas, como a expansão insustentável das fronteiras agrícolas e urbanas, a dependência de combustíveis fósseis, incentivos que promovem a degradação dos ecossistemas, economias ilícitas e a falta de financiamento. As causas são comuns, e muitas das soluções também. A restauração de ecossistemas, a transformação dos sistemas agroalimentares e a transição para energias renováveis ​​são alavancas comuns que impulsionam os objetivos das três Convenções do Rio e fortalecem a resiliência de nossas sociedades e economias.

De forma alguma estamos sugerindo a fusão das três COPs ou a diluição de seus mandatos. No entanto, consideramos essencial promover maior coerência nas políticas públicas, no financiamento e no planejamento do uso da terra e do mar. Precisamos construir agendas compartilhadas sobre os fatores estruturais que impulsionam as crises. Este ano, o Brasil, como presidente da COP30, está promovendo dois roteiros para orientar os países em seus esforços para deter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030 e superar a dependência de combustíveis fósseis.

Esses roteiros abrem espaço para colaboração imediata, na qual cada convenção pode contribuir com anos de experiência, conhecimento, capacidades e recursos.

Eles também ressaltam a urgência de se tomar medidas. Portanto, o que deve acontecer na COP17 sobre Terra e Seca (17 a 28 de agosto na Mongólia), na COP17 sobre Biodiversidade (19 a 30 de outubro na Armênia) e na COP31 sobre Mudanças Climáticas (9 a 20 de novembro na Turquia) é que nossos líderes, juntamente com outras partes interessadas, tenham uma conversa franca sobre o que está funcionando e o que não está.

Eles devem explorar as barreiras e necessidades específicas de cada país e região e definir medidas para implementar as políticas, o financiamento, a governança e as tecnologias que possam abordar conjuntamente esses desafios comuns.

Essa conversa, porém, não pode ficar restrita aos limites das convenções. Ela precisa se estender a outras organizações dentro do sistema multilateral, aos setores financeiro e privado, à sociedade civil e às comunidades que mais dependem da mudança.

O verdadeiro legado desta série de conferências não será a magnitude das decisões tomadas, mas sim a capacidade de colocá-las em prática, guiadas pela ciência e pela experiência. Porque o jogo não se ganha na sala de conferências, mas sim no campo: transformando metas em florestas preservadas, solos e pastagens restaurados e comunidades que não precisam mais migrar para buscar água. Não há mais tempo para promessas vazias.

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