O verdadeiro gargalo de Lula: Por que a batalha pelo Senado definirá a governabilidade do País

Lula | Foto: Ricardo Stuckert/Flickr

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19 Agosto 2026

Mesmo com eventual vitória presidencial, avanço da extrema-direita no Senado pode inviabilizar quarto mandato.

A informação é publicada por Jornal GGN, 17-08-2026.

Mesmo em um cenário eleitoral favorável a uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, a governabilidade de um eventual quarto mandato não estará garantida no Palácio do Planalto, mas sim nas cadeiras do Senado Federal. Em análise sobre a conjuntura política atual, o cientista político e professor da UnB, Thiago Trindade, avaliou que a esquerda possui pouca margem e raras brechas para avançar de forma expressiva no Congresso Nacional. Embora seja previsto um leve aumento na bancada da Câmara dos Deputados, este não deve ser suficiente sequer para atingir o “número mágico” capaz de impedir um eventual processo de impeachment.

Diante desse cenário, o Senado surge como o verdadeiro foco e o ponto mais crítico da disputa política de 2026. Caso a extrema-direita conquiste o controle daquela Casa, a eventual governabilidade de Lula, se reeleito, se tornará “praticamente impossível”. O controle do Senado é considerado estratégico por diversas razões, incluindo o poder de fazer avançar impeachment do presidente e de destituir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — uma pauta que aparece com forte apelo entre os eleitores, especialmente na região Sul do país, segundo dados da pesquisa Quaest divulgada em meados de agosto.

O “milagre” do terceiro mandato e o papel das ruas

Atualmente, o governo Lula enfrenta uma conjuntura altamente hostil, marcada pelos reflexos dos atos de 8 de janeiro, pressões fiscais diárias do setor financeiro (Faria Lima) e da mídia por cortes de gastos. Conduzir a gestão sob essas condições é classificado como um “milagre” por Thiago Trindade, que sustentou haver um equilíbrio de forças bastante instável.

Contudo, ele destacou que importantes conquistas recentes do governo — como a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e o avanço do fim da escala de trabalho 6×1 na Câmara — não são frutos diretos da articulação política do Palácio do Planalto, mas sim da intensa mobilização popular. Para garantir qualquer estabilidade em um quarto mandato, a manutenção dessa pressão social nas ruas será indispensável.

A força dos cabos eleitorais e o raio-x da pesquisa Quaest

Dados da pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira, 14 de agosto, revelam dinâmicas regionais distintas sobre as prioridades dos eleitores para a escolha de senadores:

Emendas e obras: O foco em garantir emendas e obras para o estado é a principal preocupação dos eleitores em todas as regiões do país.

  • O fator Lula: No Nordeste, o apoio de Lula é o segundo atributo mais importante, influenciando 26% dos eleitores. De modo geral, Lula detém hoje uma influência como cabo eleitoral significativamente maior do que a de Jair Bolsonaro.

  • O fator Bolsonaro e o impeachment do STF: A indicação de Bolsonaro aparece enfraquecida em termos comparativos. No entanto, no Sul, o compromisso do candidato em votar pelo impeachment de ministros do STF desponta fortemente como a segunda maior prioridade de voto. No Sudeste, destaca-se a cobrança pelo fim da escala 6×1.

Campanhas milionárias e o “voo próprio” de Michelle Bolsonaro

Apesar do enfraquecimento da transferência direta de votos de Bolsonaro, o campo conservador continua sendo uma força eleitoral altamente competitiva. Os candidatos da extrema-direita e do campo conservador contarão com expressivos recursos financeiros para inundar as redes sociais com campanhas focadas em pautas tradicionais, como a defesa da família e políticas de segurança pública mais firmes, comentou Trindade.

O maior símbolo dessa nova dinâmica é Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal. A avaliação é de que ela alcançou um “voo próprio”, descolando-se quase por completo da sombra do marido. Michelle tem construído sua campanha de forma estratégica: embora mantenha Jair Bolsonaro como referência para o eleitorado conservador, ela aciona a imagem do ex-presidente de forma pontual, principalmente para explorar o papel de vitimização quando necessário.

Com candidaturas competitivas e independentes da tutela direta de Bolsonaro, a disputa pelo Senado se consolida como a arena decisiva que ditará os rumos e a sobrevivência do governo nos próximos anos. A entrevista com Thiago Trindade foi concedida aos jornalistas Lourdes Nassif e Icaro Brum, durante o programa TV GGN 20 Horas, no Youtube. Assista ao recorte abaixo:

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