Estados Unidos e ex-agentes do 007 soam o alarme: "Há uma tendência autoritária, Trump tem poder demais"

Donald Trump. (Foto: Daniel Torok/White House/Flickr)

Mais Lidos

  • “Precisamos mudar a lente das instituições e olhar para essas ocorrências com a gravidade de fato que elas têm”, alerta a pesquisadora

    Lei Maria da Penha. 20 anos depois. Entrevista especial com Juliana Brandão

    LER MAIS
  • “O ataque contra pessoas trans aponta para um projeto potencialmente genocida”. Entrevista com Judith Butler

    LER MAIS
  • A Igreja deve usar os algoritmos sem se deixar algoritmizar. Entrevista com Arnaldo Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Agosto 2026

O alerta do The Steady State, um grupo com mais de 400 ex-oficiais de inteligência: "O culto à personalidade e a erosão dos mecanismos de controle e equilíbrio estão colocando a democracia em risco."

A reportagem é de Massimo Basile, publicada por La Repubblica, 11-08-2026.

A deriva autoritária não chega com o rugido dos tanques. Muitas vezes, chega com a normalidade. Um presidente revoga cinquenta autorizações de segurança. Um agente 007 é demitido sem que lhe seja dada qualquer explicação. Aqueles que deveriam se opor optam por não fazê-lo, ou aprendem rapidamente a permanecer em silêncio. Enquanto isso, o presidente se dirige ao país, promete "defender os americanos de inimigos internos" e questiona a integridade do sistema eleitoral.

O alerta vem de mais de 400 ex-funcionários da inteligência americana, que, na plataforma online Substack, denunciaram o plano de Donald Trump: o empresário que prometeu ir a Washington para expor o "estado profundo" está criando uma máquina para centralizar seu poder como nunca antes na história americana. O magnata, dizem eles, está seguindo o manual de instruções de todo autocrata em seu segundo mandato: está enfraquecendo os mecanismos de controle e equilíbrio de poder e tornando o país menos seguro.

"Autocratas têm maneiras relativamente comuns de conquistar e exercer o poder", explica Paul Kolbe, ex-funcionário da CIA que trabalhou na antiga URSS e nos Bálcãs. "Para mim, tudo isso se assemelha ao que estamos vendo acontecer nos Estados Unidos", acrescenta. Mark Zaid, advogado de segurança nacional cuja autorização de segurança foi revogada por Trump, está convencido de que o presidente não vai parar: "Todas as barreiras de segurança foram removidas", afirma. "E acho que o pior ainda está por vir."

Kolbe está entre os mais de 400 ex-funcionários da inteligência americana que pertencem ao The Steady State, uma organização fundada em 2016 em resposta à crescente tendência autoritária nos Estados Unidos. O grupo acredita que a erosão da supervisão institucional, a começar pelo Congresso agora liderado pelos republicanos, está ameaçando a própria essência da democracia americana. A rede acusou Trump de "colocar a si mesmo em primeiro lugar e a América em último". Enquanto isso, o "culto à personalidade" parece imparável. "Trump quer seu rosto em nossos passaportes. Ele quer seu rosto em nosso dinheiro. Nem mesmo Mao teria conseguido isso", explica Gail Helt, ex-analista de inteligência, referindo-se ao ex-presidente comunista chinês.

Segundo outro grupo de veteranos da inteligência, o Instituto para o Estudo de Estados de Exceção, funcionários do governo poderiam usar poderes de emergência para interferir nas eleições de novembro, quando o novo Congresso será eleito. As preocupações aumentaram em julho, quando Trump, em uma mensagem à nação, acusou a China de interferir nas eleições de 2020, apesar de um relatório do Conselho Nacional de Inteligência ter descartado essa possibilidade. A constante referência a uma "invasão comunista", como na era McCarthy, não parece ser coincidência. E nem mesmo a CIA consegue fornecer um contraponto: todos aqueles que apoiaram a hipótese do envolvimento russo em favor de Trump foram privados de acesso a documentos confidenciais.

Apesar do cenário sombrio, ex-agentes da Lei 007 vislumbram uma réstia de esperança: "Os americanos têm uma longa história de democracia e liberdade. As instituições irão perdurar", afirmam. Mas o verdadeiro perigo, segundo alguns deles, não reside apenas no que Trump possa fazer, mas sim enquanto os Estados Unidos podem acabar se acostumando com manobras que antes seriam consideradas intoleráveis.

Leia mais