Vulnerabilidade climática ameaça crianças em mais de 330 municípios brasileiros

Foto: Pixabay

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27 Julho 2026

Dados de painel da UNICEF indicam que as crianças da Amazônia Legal são as mais expostas a riscos ambientais no Brasil.

A informação é publicada por ClimaInfo, 26-07-2026. 

A combinação de crise climática com desigualdade social, pobreza e falta de saneamento básico está potencializando os riscos ao bem-estar e à vida da juventude no Brasil. Segundo uma análise do Fundo da ONU para Infância (UNICEF) e da Vital Strategies, o país tem hoje 333 municípios em situação de vulnerabilidade ambiental severa e multidimensional para crianças e adolescentes.

Os dados são do Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma online com dados sobre exposição ambiental de crianças e adolescentes em todos os municípios do país. A ferramenta consolida 14 indicadores, organizados em quatro áreas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar, e infraestrutura ambiental e urbana. Os indicadores também estão classificados em níveis de prioridade, considerando a situação de cada município, para ajudar os gestores públicos no enfrentamento dessas vulnerabilidades.

Como a Folha assinala, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram a maior parte dos municípios com dez ou mais indicadores em situação de alta prioridade, o que indica a necessidade de ação imediata. O Norte desponta como a região mais vulnerável: 42% dos municípios se enquadram nessa classificação, especialmente no Pará, Acre e Amazonas. Por outro lado, há 108 municípios em todo o país que não registram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados.

Em muitas regiões, os desafios são parecidos, ainda que com características distintas. O Valor destaca o indicador de qualidade do ar: a região Norte tem 94% de seus municípios com alta prioridade, seguido pelo Sudeste, com 39% de cidades nessa condição. No Norte, porém, a poluição está atrelada aos incêndios florestais, enquanto no Sudeste o problema é provocado pelo transporte rodoviário e pela atividade industrial.

O painel mostra também como os eventos climáticos extremos afetam as regiões de forma desigual. As chuvas mais intensas são um indicador de alta prioridade para 91% dos municípios do Norte e 68% do Sul. Já as ondas de calor são mais frequentes no Centro-Oeste (64%) e no Norte (60%). As secas são mais comuns no Sudeste (38%) e no Centro-Oeste (28%).

O ambiente escolar também é desafiador em boa parte do país. Segundo o painel, 71% das cidades do Norte têm escolas que não dispõem simultaneamente de água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo. No Nordeste, esse índice é de 49%. Já no Sudeste, um problema crônico é a falta de áreas verdes nas unidades de ensino, destacam O Globo e g1.

“Crianças e adolescentes são os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e da poluição, embora sejam os que menos contribuem para esse cenário”, comentou Joaquin Gonzalez-Aleman, representante da UNICEF no Brasil.

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