Pode o cristianismo desaparecer? Artigo de Duilio Albarello

Foto: Manakin/Pexels

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25 Julho 2026

O teólogo Jürgen Werbick publicou recentemente um ensaio com um título bastante provocativo: "O cristianismo pode ser descartado? Crer em um tempo de exaustão da Igreja".[1] A imagem da capa da edição alemã não deixa dúvidas: uma cruz jogada em uma lixeira. É um texto amargo, muito desencantado, quase beirando o pessimismo, que deixa o gosto amargo de um julgamento sem concessões e sem desculpas.

O artigo é de Duilio Albarello, padre diocesano, doutor em teologia e professor em várias faculdades de teologia, publicado por Settimanna News, 24-07-2026.

Eis o artigo.

A Igreja Católica está no banco dos réus: na opinião de Werbick, é a instituição eclesiástica, e não a "maldade dos tempos", a principal responsável por reduzir o cristianismo a uma espécie de lixo a ser descartado.

A questão que dá título ao livro não é concebida por Werbick como uma provocação puramente retórica. Trata-se de uma questão real, que surge da observação de uma situação histórica em que o cristianismo, pelo menos em sua forma eclesial ocidental e especialmente católica, já não parece socialmente aceito, culturalmente atraente ou institucionalmente crível. Werbick resume esse cenário na expressão "exaustão eclesial".

Em alemão, a palavra usada para expressar o conceito de "exaustão" tem uma etimologia muito forte. De fato, Erschöpfung contém em si o termo Schöpfung, que significa "criação", enquanto o prefixo Er- é privativo. Portanto, a exaustão deve ser entendida em seu sentido forte como uma espécie de "descriação", ou seja, uma condição de inconsistência radical e falta de sentido.

Assim, não se trata apenas de uma certa forma histórica da Igreja parecer ter consumido sua força e confiabilidade. Trata-se, sobretudo, de a própria Igreja, enquanto tal, parecer incapaz de imaginar seu próprio presente e futuro com visão e coragem.

O problema, portanto, não é apenas o declínio da prática religiosa ou a perda de relevância pública, mas um profundo esvaziamento espiritual, simbólico e institucional do cristianismo, particularmente em sua configuração católica. Como escreve Werbick:

"A Igreja Católica Romana acreditou demais em si mesma e em seus instrumentos de poder, em sua pretensão de representar Deus, e agora precisa lidar com o fato de que essa precária autoconfiança institucional se esgotou, que a confiança na Igreja deu lugar à desconfiança em uma instituição religiosa, cujo retraimento não resolvido pode ser visto, até mesmo em seu 'coração institucional'"[2].

Os principais temas do texto

A convicção fundamental do livro é que a crise atual não coincide tanto com o fim do cristianismo, mas com o fim, ou pelo menos com a erosão irreversível, de uma configuração específica da comunidade eclesial. Por essa razão, Werbick não se limita a defender a Igreja existente, muito menos a lamentar nostalgicamente a perda de sua hegemonia passada. Em vez disso, ele busca distinguir, dentro da crise, o que é contingente e historicamente obsoleto no cristianismo daquilo que é essencial e, portanto, não pode ser perdido sem que a fé cristã seja distorcida. Assim, a questão precisa que este livro nos coloca, leitores, não é tanto: "Como a Igreja, como ela é hoje, pode ser salva?", mas sim: "O que do cristianismo não deve, de forma alguma, ser descartado?"

Werbick tenta responder a essa pergunta oferecendo não um argumento teológico propriamente dito, mas sim, poderíamos quase dizer, um fluxo de consciência, que muitas vezes também assume a forma de uma meditação autobiográfica; ou, se preferirmos, uma "confissão" à maneira de Agostinho, elaborada por um leigo católico de oitenta anos, que dedicou a maior parte de sua vida à pesquisa acadêmica e ao ensino da teologia.

Precisamente por causa desse gênero literário específico, não pretendo fornecer um resumo simples das várias seções do livro. Em vez disso, tentarei destacar quatro temas subjacentes que estruturam o discurso do texto.

Ativar um processo de purificação

Um primeiro tema subjacente é a necessidade de ativar um processo de purificação do cristianismo católico em todos os níveis e em todos os seus elementos constituintes.

Werbick acredita que muito do que, ao longo da história, foi identificado com a essência do cristianismo deveria, na verdade, ser considerado uma distorção ou superestrutura dele. O cristianismo, portanto, precisa ser libertado, aliás, purificado, de formas de ação eclesial que acabaram subjugando o Evangelho em vez de servi-lo.

Dessa perspectiva, a Igreja institucional, ao longo dos séculos, acabou sendo reduzida a um sistema de poder que alega possuir a verdade e tende a disciplinar rigidamente seus fiéis.

Nesse contexto, Werbick oferece uma perspectiva original sobre o fenômeno moderno da crítica religiosa. O Iluminismo e a modernidade são vistos não apenas como forças destrutivas a serem combatidas por preconceito, mas também como exemplos de emancipação de uma forma de crença cada vez mais infantil e controlada. Por essa razão, a crise da Igreja não é interpretada unicamente como uma catástrofe a ser lamentada e evitada: ela também pode se tornar uma obra de verdade, permitindo aos fiéis restabelecer uma conexão mais autêntica e madura com Deus.

A famosa fórmula de Friedrich Nietzsche, "Deus está morto!", é reinterpretada por Werbick como uma perda de plausibilidade não tanto por parte de Deus em si, mas sim por parte de uma certa imagem de Deus, moldada pela doutrina e pela espiritualidade. Werbick chega a falar de um dramático "êxodo de Deus de sua Igreja", ou seja, o fato de que a iniciativa e a presença de Deus se recusam a ser aprisionadas pela problemática forma institucional que a comunidade eclesial assumiu ao longo dos séculos.

Isso não significa, porém, que Werbick defenda uma fuga da Igreja em favor de um cristianismo reduzido a uma fé individualista. Seu objetivo é mais complexo: ele quer mostrar que o cristianismo só pode sobreviver se aceitar uma repensagem mais bíblica, humanizadora e comunicativa. Em outras palavras, Werbick não se limita a denunciar o fracasso institucional da Igreja; em vez disso, busca promover um discernimento teológico a respeito do núcleo gerador da fé cristã.

A reformulação da crença

Aqui emerge o segundo tema fundamental: uma profunda reformulação da crença. A fé cristã não deve ser entendida, antes de tudo, como uma adesão externa a um sistema doutrinário fechado, mas sim como a entrada em um diálogo no qual o homem se deixa desafiar pela Palavra de Deus e, por meio dessa Palavra, descobre a sua própria existência como uma resposta pessoal a uma questão desafiadora.

A fé, portanto, não consiste primordialmente na posse tranquila de certezas formalmente definidas. Em vez disso, o ato de crer em Cristo é a disposição de embarcar numa jornada promissora, cuja orientação fundamental é o futuro aberto por Deus através de Jesus Cristo no Espírito.

Essas considerações nos permitem compreender melhor o significado do título do livro: o cristianismo corre o risco de ser descartado se for identificado com sua estrutura sociológica e institucional, mas não desaparecerá enquanto houver mulheres e homens que continuem a se deixar chamar e a se entregar à Palavra de Deus, a seguir suas vidas com dedicação e esperança, precisamente em virtude dessa entrega.

O cristianismo, portanto, não se garante por meio do aparato de uma instituição que busca o controle total de seus membros. Ao contrário, a experiência cristã se apresenta primordialmente como um evento de fé.

Daqui decorre uma relativização decisiva das pretensões de autossuficiência eclesiástica: pertencer à Igreja nunca é o fim, mas a condição para tornar visível e partilhável a ação de Deus em Cristo e o seu dom da salvação pelo Espírito. Para citar novamente as palavras de Werbick: "O profeta Jesus de Nazaré não tinha um modelo alternativo de sociedade pronto, mas falou de como as coisas seriam se fossem boas, se correspondessem à boa vontade de Deus. Ele compreendia-se como um semeador e anunciou o Evangelho segundo o qual agora se pode começar o que conduz ao bem, porque Deus é aliado daqueles que começam o bem e porque não deixa que os seus começos sejam em vão. Ter fé neste Evangelho pressupõe uma imensa ingenuidade, a ingenuidade da fé; mas também a engenhosidade da fé: querer encontrar começos em que o senhorio de Deus possa começar no nosso mundo humano, tal como é agora".[3]

Neste nível, emerge a relação entre fé, dúvida e liberdade. Werbick não estigmatiza a dúvida como um simples defeito da crença, mas a valoriza mais profundamente como uma condição potencial para o amadurecimento da própria crença. A fé cristã não elimina a incerteza da existência e não oferece proteção ideológica total contra o risco. Pelo contrário, a crença autêntica implica expor-se ao futuro, ao inesperado, às provações.

Nesse sentido, a crise contemporânea do cristianismo pode forçar os crentes a abandonar uma religiosidade excessivamente convencional e a confrontar a exigente seriedade que caracteriza a decisão de fé. O ato de crer não se ilude pensando que pode dominar o mistério; ao contrário, deixa-se instruir pelos testemunhos bíblicos e, sobretudo, pelo acontecimento de Jesus Cristo.

A referência central a Jesus Cristo

Aqui nos conectamos ao terceiro tema subjacente, que ajuda a estruturar o livro de Werbick: a referência central a Jesus Cristo. O fundamento decisivo da fé é o testemunho de um Deus que revela sua própria grandeza por meio da humilhação da Cruz. Esse elemento é crucial, pois impede que a reforma do cristianismo seja compreendida em um sentido genericamente moralista ou espiritualista.

No âmago da experiência cristã está o paradoxo de um Deus que salva não por meio de seu poder avassalador, mas por meio da solidariedade, da vulnerabilidade e da dedicação incondicional. Por essa razão, a renovação da fé não se dá por meio de um renascimento triunfal da Igreja, mas sim por meio de uma conversão à forma kenótica, isto é, à dinâmica de humilhação e esvaziamento de si que caracteriza o Evangelho.

Assim, a ideia de salvação também precisa ser repensada. Segundo Werbick, a salvação consiste em permitir que Deus habite entre nós, em querer viver com Ele, em abrir espaço para a Sua iniciativa de renovação.

O conceito de salvação desloca o foco de estruturas jurídicas ou meramente cultuais para uma compreensão relacional e comunicativa da fé. A redenção não é, antes de tudo, um mecanismo sagrado administrado pela instituição eclesiástica, mas sim a abertura para uma nova forma de comunhão com Deus e entre os seres humanos.

Werbick escreve: "Deus se agrada em me ver! Em me ver, eu que falhei tantas vezes, o fragmento, a ruína, minha beleza, o que eu poderia ter contribuído e como me perdi. Esta seria a perspectiva da esperança pascal, que ultrapassa infinitamente nossa preocupação criatural de não sermos apreciados e de acabarmos em exaustão; que nos reconciliaria com nossa existência humana, que poderia nos reconciliar com aqueles que negligenciamos, que nos negligenciaram. Esta é obviamente uma comparação, em oposição ao tema do olhar crítico e preconceituoso, com o qual deveríamos lidar com Deus, segundo o que aprendemos no antigo e venerável catecismo, e que encontramos todos os dias nos rostos daqueles que julgam e condenam com impaciência".[4]

Uma visão renovada da Igreja

O quarto e último tema subjacente leva-nos a refletir sobre a visão renovada da Igreja. Werbick propõe uma Igreja participativa, entendida como uma comunhão de serviço mútuo, na qual Deus se comunica através do Espírito por meio da partilha de carismas.

O significado de sua proposta eclesiológica pode ser resumido da seguinte forma: menos centralismo disciplinar, mais fraternidade, mais sinodalidade concreta, mais escuta do Espírito através da pluralidade de vozes dos fiéis.

A crise atual nos obriga a distinguir com mais rigor entre o Evangelho de Jesus Cristo e sua gestão institucional; precisamente por essa razão, a própria crise pode se tornar o lugar onde ressurge aquilo que é verdadeiramente essencial ao cristianismo.

Quando a fé se enraíza no poder, na burocracia, na linguagem autorreferencial e na obsessão pela sobrevivência, ela perde seu testemunho transparente de Deus. Quando, porém, a fé retorna a ser uma resposta livre à Palavra de Deus e uma prática eficaz de comunhão, então o cristianismo pode enfrentar e navegar pelo fim da "civilização eclesiástica" sem perder sua vitalidade original.

Werbick certamente não banaliza a crise, não a reduz a um mero deslize, um parêntese a ser fechado o mais rápido possível; em suma, ele não busca soluções fáceis. Seu projeto é mais complexo: aceitar que algo, ou muito, do regime passado do cristianismo deve chegar ao fim, para que algo mais original possa ressurgir.

Para Werbick, o cristianismo certamente pode perder muitas de suas formas históricas, suas supostas certezas institucionais e suas supostas vantagens socioculturais. No entanto, não correrá o risco de desaparecer enquanto houver pelo menos dois ou três que, reunidos em nome de Jesus, mantenham o ato fundamental da fé: permitir-se ser chamados por Deus através do Espírito de Cristo e responder incorporando um modo de vida mais evangélico, mais humano, que, portanto, não seja dominado pela lógica do egocentrismo e da opressão.

Em suma, a proposta de Werbick é importante porque nos obriga a retornar às questões mais radicais: o que torna o cristianismo crível hoje? Qual é a relação entre Jesus Cristo e a forma histórica da Igreja? Como a revelação pode comunicar a verdade sem se tornar uma imposição? Como podemos pensar a fé eclesial dentro de uma cultura pós-cristã?

O livro não oferece uma resposta sistemática e definitiva para todas essas questões; porém, nos obriga a formular os diversos temas em jogo de maneira correta e ponderada.

Em suma, Werbick é muito enfático em sua advertência de que o cristianismo não pode ser protegido do risco de ser descartado se nos concentrarmos apenas em reconsolidar sua forma institucional tal como existe hoje. Nosso autor talvez seja um pouco menos enfático ao especificar as maneiras teologicamente confiáveis pelas quais a Igreja deve ser repensada, para que o cristianismo permaneça historicamente reconhecível não apenas como uma crença individual, mas como uma fé eclesial e comunitária.

É precisamente aqui que encontramos tanto a força quanto a limitação do livro: força, porque, na visão de Werbick, os cristãos católicos são libertados da tentação ingênua de identificar a experiência evangélica com o aparato eclesiástico; limitação, porque a mediação eclesial é criticada com razão, mas sua reformulação construtiva nem sempre é buscada com a mesma intensidade de comprometimento.

Pode-se dizer que Werbick oferece uma importante contribuição para uma reinterpretação da fé cristã após o fim do cristianismo, mas ele ainda deixa substancialmente em aberto a questão decisiva de uma figura da Igreja capaz de ser, ao mesmo tempo, profética, sacramentalmente hospitaleira e não autoritária.

Um foco eclesiológico-pastoral

Concluo minha apresentação com uma abordagem eclesiológico-pastoral. O livro de Werbick é interessante porque não se limita a denunciar a crise da Igreja, mas nos força a questionar que tipo de comunidade cristã pode ser considerada teologicamente plausível e pastoralmente viável hoje.

Como vimos, sua tese básica é que o atual "esgotamento eclesial" não é um simples acidente ao longo do caminho, mas sim o resultado do desgaste secular de uma forma de Igreja que luta para tornar o Evangelho crível para a consciência dos homens e mulheres de nosso tempo.

Do ponto de vista eclesiológico, a maior contribuição do livro reside no fato de Werbick relativizar decisivamente qualquer identificação imediata entre o cristianismo professado e a organização eclesiástica.

A Igreja não coincide com o Reino de Deus nem com a totalidade da ação de Deus no mundo; antes, ela é chamada a ser um lugar de testemunho, de busca a Deus e de acompanhamento na maturação da humanidade.

A Igreja é crível quando busca a Deus junto com homens e mulheres em suas situações de vida concretas, e quando ousa compartilhar sua caminhada com eles, sem medo de ter que lidar com uma situação de fragmentação e incerteza.

Essa abordagem possui forte relevância eclesiológica, pois desloca o foco de uma Igreja concebida primordialmente como uma estrutura de controle, autopreservação e gestão do sagrado, para uma Igreja entendida como uma comunidade de pesquisa, escuta e solidariedade mútua. Nessa perspectiva, a credibilidade eclesial não depende primordialmente da eficiência institucional ou da unidade disciplinar, mas da capacidade de tornar visível uma forma de existência pessoal e coletiva que demonstre autenticidade no Evangelho.

Aqui, o livro também aborda o tema da sinodalidade, que muitas vezes, infelizmente, se tornou mais uma fórmula sugestiva do que uma experiência real.

Contudo, se a sinodalidade não for reduzida a uma mera técnica organizacional a ser aplicada, ela poderá, em si mesma, representar um caminho para transformar a maneira de ser da Igreja na história, na cultura e na sociedade. Envolve uma Igreja que deve aprender a caminhar com Deus sem temer o desconhecido, encontrando sua força na fraqueza e na solidariedade com aqueles que se encontram desprovidos de meios e propósito.

Mais precisamente, a proposta de Werbick parece favorecer uma eclesiologia de comunhão não triunfalista. A Igreja não é tanto a entidade abrangente que possui exclusivamente o mistério de Deus e o transmite aos outros, mas sim o povo que se deixa preceder por Deus em Cristo e é continuamente reformado pela iniciativa do Espírito.

Este é um ponto muito frutífero, pois corrige um modelo autorreferencial e defensivo da Igreja, que se tornou cada vez mais estéril e até insuportável. Em segundo plano, emerge uma eclesiologia mais próxima da categoria conciliar de "sacramento", entendida em sentido dinâmico: uma comunidade eclesial que é sinal e instrumento de Cristo, não seu substituto; uma comunidade que exerce uma mediação real, mas não autorreferencial, em relação à iniciativa de Deus. A força da proposta reside precisamente aqui: imaginar e implementar uma Igreja que seja novamente percebida como uma realidade penúltima, uma comunidade de serviço, mais pobre do que ela mesma e, portanto, mais transparente ao Evangelho.

De uma perspectiva pastoral

De uma perspectiva pastoral, essa percepção é muito promissora. Werbick está convencido de que a ação eclesial, aqui e agora, não pode mais se basear na obviedade social da adesão à fé, muito menos na reprodução enfraquecida de práticas religiosas herdadas do passado. A ação da Igreja é chamada, em vez disso, a assumir o caráter de um ministério pastoral de escuta, acompanhamento e discernimento, capaz de estar ao lado das pessoas em meio a experiências cada vez mais frequentes de distanciamento da comunidade eclesial, dúvida e ausência de Deus.

Werbick insiste precisamente neste aspecto: a experiência da distância de Deus, da sua invisibilidade, não deve ser censurada a nível pastoral, pois pode tornar-se um espaço em que ministros ordenados e fiéis leigos são instados a abandonar uma linguagem excessivamente assertiva e, portanto, a comprometerem-se a procurar vestígios da presença de Deus de uma forma mais existencial e partilhada.

Dessa perspectiva, o livro enfatiza a necessidade urgente de mudar significativamente a direção da pastoral, que está demasiadamente focada na prática religiosa ou na participação formal. Se a fé é uma resposta livre a um chamado e não meramente uma aparência exterior, então a ação pastoral não pode ser reduzida à administração de obrigações, mas deve se tornar a criação de espaços onde o Evangelho possa ser percebido como uma palavra de vida confiável. Pastoralmente, isso traz consigo pelo menos três consequências: maior atenção às biografias concretas das pessoas que encontramos; uma abordagem menos defensiva e mais acolhedora; e a disposição de reconhecer que a jornada da fé muitas vezes passa por situações de ambivalência, feridas e incompletudes, nas quais pessoas reais se encontram.

Há ainda outro aspecto muito relevante em nível pastoral: a meditação de Werbick opõe-se implacavelmente a qualquer estratégia de restauração da identidade do ser e do fazer da Igreja.

Em tempos de exaustão eclesial, a tentação é muitas vezes precisamente a de endurecer as fronteiras, acentuar a distinção entre "dentro" e "fora", multiplicar os apelos à obediência e conceber a ação eclesial como uma firme defesa da fidelidade a tradições agora desgastadas.

Werbick sugere proceder na direção oposta: precisamente quando a Igreja se descobre como minoria, deve superar a tentação de se refugiar em cidadelas sitiadas e, em vez disso, buscar todas as formas possíveis de ativar comunidades comunicativas, que invistam suas energias na construção de realidades comunitárias que coloquem no centro de sua identidade as muitas formas que a proximidade evangélica com todos é encorajada a assumir.

Contudo, como já observamos, é precisamente aí que emergem as limitações eclesiológicas do livro. A crítica à forma institucional da Igreja é convincente e necessária, mas a reflexão teológica de Werbick parece menos criativa quando se trata de delinear positivamente o que deveria ser a mediação eclesial, uma mediação capaz de escapar ao destino do seu próprio esgotamento.

Por um lado, insiste-se muito que a ação de Deus não coincide com a instituição e que uma Igreja absorta em si mesma inevitavelmente se torna um contratestemunho. Por outro lado, porém, permanece a questão de qual forma concreta de Igreja ainda pode preservar, transmitir e celebrar autenticamente a fé cristã.

Em outras palavras, o ensaio eclesiológico de Werbick é muito forte na pars destruens e menos decisivo na pars construens. Ele reitera claramente que a Igreja não pode mais ser concebida segundo modelos de autossuficiência hierárquica ou controle das consciências. Menos claro é como elementos decisivos como ministério, autoridade, membresia, sacramentalidade, disciplina comunitária e magistério devem ser repensados de maneira teológica e antropologicamente adequada.

De uma perspectiva pastoral, este problema está longe de ser um detalhe menor: a ação eclesial atenta à escuta e ao acompanhamento requer também funções eclesiais reconhecíveis, práticas compartilhadas, formas estáveis de vida em comum e ministérios eficazes. Se esses aspectos permanecerem em segundo plano, corre-se o risco de a reforma da ação eclesial perder a consistência institucional e resultar numa criatividade que pode ser exuberante, mas mal estruturada e, portanto, fadada a não resistir ao teste do tempo.

Poder-se-ia dizer, então, que, em nível pastoral, Werbick oferece principalmente um critério, e não um modelo. O critério é muito claro: qualquer forma de ação e organização que não torne a Igreja mais evangélica, menos autorreferencial, mais solidária e mais capaz de buscar a Deus em conjunto com os outros, inevitavelmente trai sua missão. Contudo, o modelo operacional capaz de implementar esse critério permanece deliberadamente aberto e indefinido. Isso, por um lado, é uma vantagem, pois evita soluções fáceis; por outro, deixa sem solução o problema de como traduzir esse critério em reformas efetivas e eficientes das comunidades, ministérios e estruturas.

Em suma, minha avaliação geral da contribuição de Werbick é que ela é valiosa, na medida em que desmantela sem reservas um modelo de Igreja centrado na posse da verdade e no controle das consciências, para relançar, como alternativa, uma Igreja mais humilde, mais relacional e mais exposta ao evangelismo.

Além disso, de uma perspectiva pastoral, a meditação de Werbick é estimulante porque nos convida a passar de uma lógica de manutenção e conservação para uma de movimento e transformação. Sua limitação reside no fato de que essa saudável provocação, embora poderosa do ponto de vista da intuição teológica, tem dificuldade em se traduzir em uma proposta suficientemente detalhada para a reestruturação da forma eclesial em sua aplicação concreta.

Em suma, o ensaio de Werbick nos ajuda a compreender qual perfil da Igreja já não é sustentável e qual estilo pastoral já não é crível do ponto de vista evangélico. Parece-me, contudo, que nos ajuda a definir, de forma menos realista, a forma institucional positiva que a Igreja é chamada a assumir, para que a conversão pastoral tão justamente desejada possa produzir novas formas de "ser e fazer Igreja" que sejam verdadeiramente duradouras e viáveis.

Concluo citando o parágrafo final do livro: "Muitos ainda resistem nesta Igreja, porque reconhecem a boa vontade de Deus na boa vontade e no compromisso abnegado com o serviço da Igreja por parte do povo da Igreja, sejam ordenados ou leigos. Eles fazem parte do tesouro em vasos de barro. São a Igreja, uma graça que se tornou vida diária, pessoas que têm confiança, um incentivo para resistir diante do esgotamento eclesial, na contestação expressa por uma dispersão pandêmica da fé. Eles me dão testemunho de um Deus que é próximo, amparador e, no entanto, tão inacessível, um Deus que a Igreja e o mundo não podem conter".[5]

Notas

[1] J. WERBICK, Christentum – kann das weg? Glauben in Zeiten der Kirchen-Erschöpfung, Grünewald, Ostfildern 2023 (tradução italiana F. Iodice, O Cristianismo pode desaparecer? Acreditando em um tempo de exaustão eclesial, Queriniana, Brescia 2026).

[2] J. WERBICK, O cristianismo pode desaparecer? Acreditar em um tempo de exaustão eclesiástica, Queriniana, Brescia 2026, p. 149.

[3] Ibid., 284.

[4] Ibid., 210-211.

[5] Ibid., 299.

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