Caminhar juntos: perspectivas evangélicas sobre o ministério petrino. Artigo de Christian Kopp

Papa Leão XIV | Foto: Vatican Media

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14 Julho 2026

"Para garantir que essa trajetória não seja realizada exclusivamente por especialistas de teologia e história, a Igreja Católica Romana precisa que o Papa Leão promova caminhos ecumênicos e apoie atividades voltadas ao fortalecimento das pontes já existentes entre as denominações", escreve Christian Kopp, em artigo publicado por Herder Korrespondenz, 11-07-2026.

Christian Kopp nasceu em 1964 e atua como Bispo Regional da Igreja Evangélica Luterana na Baviera desde 2023. Ele também é responsável pelas relações com a Igreja Católica pela VELKD e pelo ecumenismo pela EKD. Estudou teologia em Munique, Erlangen, Berna e Tübingen. Após a consagração em 1994, atuou, entre outras funções, como pastor em Nuremberg e como bispo regional do distrito eclesiástico de Munique.

Eis o artigo.

A eleição de um papa é um assunto de grande interesse também para as igrejas evangélico-luteranas. O Papa Leão XIV coloca no centro aquilo que temos em comum. Para um observador interessado no ecumenismo, é motivo de alegria.

A última Porta Santa foi fechada, e o Ano Santo de 2025 chegou ao fim. A cidade de Roma e o Papa Leão XIV acolheram 33 milhões de peregrinos, um legado do Papa Francisco no Ano Santo. O Papa Leão XIV organizou esses encontros com grande dedicação. Isso demonstra que ele dá continuidade, de forma consciente, às diretrizes traçadas por Francisco. A escolha de seu nome e a consequente ênfase na ética social — em continuidade com a obra de Leão XIII (1878–1903) — também sinalizam claramente isso.

O mesmo se aplica à maneira como as reflexões do Sínodo sobre a Sinodalidade estão sendo abordadas. Em princípio, Leão reafirma a importância da sinodalidade para o futuro da Igreja e apoia as conclusões do Sínodo sobre a Sinodalidade iniciado por Francisco. Em consequência disso, convidou todas as dioceses do mundo a experimentar métodos de consulta sinodal em 2026. Nas conferências episcopais nacionais e no plano transnacional está prevista uma avaliação dessas experiências para 2027. A isso se seguirá uma avaliação nos cinco continentes e, em 2028, uma assembleia eclesial geral no Vaticano.

Essa recorrente referência à sinodalidade é um fenômeno que repercute positivamente no observador evangélico. A sinodalidade — literalmente "caminhar juntos" — assumiu diversas formas nas diferentes tradições eclesiais, dependendo do grupo de pessoas envolvido no processo de tomada de decisão. A pergunta fundamental é: a quem nos referimos em cada caso? Em princípio, no centro da sinodalidade está o coletivo, o estar "mais juntos". O cuidado com a comunidade é, indiscutivelmente, uma tarefa central do Papa — um papel percebido muito além dos contextos eclesiais. Estar "mais juntos" significa direcionar a atenção aos aspectos integradores da Igreja — abordando as polarizações internas, os diversos contextos do catolicismo nos diferentes continentes e as relações entre clero e leigos, ricos e pobres, entre marginalizados, oprimidos e poderosos, influentes.

O novo Pontífice encara essa ampla tarefa de integração como uma missão do Evangelho. Logo nos primeiros meses de seu ministério, ficou claro que ele prioriza aquilo que nos une, agindo e falando de acordo com essa orientação. O observador interessado no ecumenismo encontra grande alegria e esperança nisso.

Estar mais unidos significa unir forças com aqueles que estão comprometidos com o amor de Deus. Com o cuidado do mundo que Deus confiou aos seres humanos, somos mais fortes quando nos unimos para proteger a Criação e nos opor à exploração de recursos, e quando lutamos juntos em favor das pessoas em dificuldades. Por ocasião da celebração de reconciliação luterano-católica romana "Unidos na Esperança", realizado no Dia da Reforma de 2016 em Lund, na Suécia, a Federação Luterana Mundial e a Caritas Internationalis concordaram em agir juntos sempre que possível. É necessário ampliar sistematicamente essas oportunidades em todos os níveis de atuação para o desenvolvimento global, para a justiça climática e para as ajudas em situações de catástrofes.

As preocupações do Papa e do movimento ecumênico são muitos similares em vários pontos. Ambos compartilham um comprometimento incondicional em favor dos indefesos e dos marginalizados, pois todos os seres humanos são imagem de Deus. Nos nossos dias, há uma grande necessidade desse tipo de comprometimento. Por exemplo, o Papa apoia os bispos católicos romanos nos Estados Unidos quando expressam críticas ao governo e à administração do presidente Donald Trump. Ele exige que os Estados Unidos tenham uma abordagem humana. Aceitar ou até mesmo ordenar o tratamento desumano dos migrantes é incompatível com a doutrina social da Igreja Católica.

É quase uma marca registrada do papado desfrutar de grande atenção da opinião pública mundial e uma extraordinária credibilidade na política e na opinião pública em nível global. Leão faz bom uso disso e não se deixa instrumentalizar pelo convite do presidente Trump para integrar o "Conselho da Paz" (Israel/Gaza). Criticou o presidente estadunidense quanto à sua abordagem em relação à guerra da Rússia contra a Ucrânia e, após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, defendeu intervenções não violentas em vez do uso de força militar.

Desafios que persistem

O aniversário de Niceia levou o novo Papa a priorizar as relações de Roma com o mundo ortodoxo. Para esse fim, também foram envolvidos convidados de outras denominações. As igrejas unidas no movimento ecumênico mundial reconhecem as confissões de fé da Igreja antiga como base comum. Elas compartilham, em grande medida, as decisões cristológicas e trinitárias fundamentais da Igreja antiga. A assinatura da "Charta Oecumenica" revisada em novembro de 2025, permitiu a Leão destacar os temas europeus da comunidade ecumênica, que em muitos casos coincidem com seus próprios: migração, reconciliação, relações inter-religiosas, relação com o mundo digital e com a inteligência artificial.

Com vistas ao 500º aniversário da “Confessio Augustana” em 2030, é possível assentar-se sobre sessenta anos de intenso diálogo ecumênico e, simultaneamente, trilhar novos caminhos. Nisso reside uma grande oportunidade. Nesse contexto se inserem a "Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação" de 1999 — que, nesse meio tempo, também foi assinada por metodistas, anglicanos e reformados — e, sobretudo, a trajetória conjunta empreendida por católicos e luteranos em vista ao aniversário da Reforma em 2017. O lema da época era "Do Conflito à Comunhão". Graças à memória compartilhada e de uma narrativa comum sobre a história que levou às atuais distinções confessionais, torna-se possível curar memórias dolorosas. Pedir perdão uns aos outros, perdoar e avançar juntos — esse é o objetivo no caminho para a próxima data importante na história das igrejas Luterana e Católica Romana: o 500º aniversário da Dieta de Augsburgo de 1530. A Comissão Luterano-Católica Romana sobre a Unidade iniciou recentemente sua sexta fase de diálogo e está preparando uma declaração para 2030. Para garantir que essa trajetória não seja realizada exclusivamente por especialistas de teologia e história, a Igreja Católica Romana precisa que o Papa Leão promova caminhos ecumênicos e apoie atividades voltadas ao fortalecimento das pontes já existentes entre as denominações.

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