A política e a amizade social. Artigo de Sandoval Alves Rocha

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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20 Junho 2026

"Resgatando a mensagem dos bispos, concluímos que a esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial. Esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça. Assim, eles convidam a todos e todas se empenharem na criação da cultura do encontro, na promoção da paz social e na construção da fraternidade"

O artigo é de Sandoval Alves da Rocha, doutor em Ciências Sociais pela PUC-Rio. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Eis o artigo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu na última semana a Mensagem ao povo brasileiro por ocasião das Eleições de 2026. No documento o Conselho Permanente da instituição convida a todos os eleitores e eleitoras a assumir a responsabilidade pela escolha que vão fazer no pleito eleitoral em outubro deste ano. Os bispos sublinham que as próximas eleições serão uma oportunidade impar dos brasileiros exercerem a cidadania escolhendo os candidatos que melhor representam os interesses do país e do seu povo.

Esta mensagem veio no momento certo, pois estamos numa ocasião em que podemos mais uma vez valorizar a democracia, fazendo escolhas conscientes, baseadas no conhecimento dos candidatos, de suas histórias e das consequências de suas ações para o Brasil. É necessário irmos além dos discursos difundidos pelos meios de comunicação e ingressarmos na análise dos valores defendidos pelos candidatos, identificando e rejeitando os maus políticos que praticam criminosamente o racismo, a violência contra as mulheres, o ataque à dignidade da pessoa, a injustiça social, a devastação ambiental, a corrupção e a intolerância religiosa.

Este é o momento certo de lembrar os nomes daqueles que trabalham covardemente para a aprovação de leis que agridem os trabalhadores, incentivam a destruição do meio ambiente, desprezam os povos indígenas, fragilizam os direitos humanos, promovem a desigualdade social, prejudicam a soberania nacional, difundem mentiras, semeiam o ódio contra os mais pobres, atacam a democracia, desprezam o povo brasileiro e impedem que o Brasil caminhe para frente. São pessoas de índole autoritária, egoísta e sem compromisso ético.

É preciso afastar esses maus políticos das funções que atualmente exercem, substituindo-os por cidadãos comprometidos com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade. Não é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas. Não podemos entregar a política para pessoas que odeiam o Brasil, que tramam a partir de dentro e a partir de fora artimanhas para prejudicar os brasileiros.

Estamos vivendo as consequências das más escolhas das últimas eleições, que colocaram nas casas legislativas pessoas descomprometidas com o bem comum, vinculadas às classes endinheiradas do campo e das cidades que saqueiam as riquezas brasileiras e se esforçam por afundar a nação na penúria, na humilhação e no colapso ambiental. É necessário devolver às casas legislativas o ímpeto da amizade social que gera uma fraternidade nacional focada na superação das desigualdades, na abolição das estruturas autoritárias e na eliminação do racismo e machismo estruturais.

Resgatando a mensagem dos bispos, concluímos que a esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial. Esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça. Assim, eles convidam a todos e todas se empenharem na criação da cultura do encontro, na promoção da paz social e na construção da fraternidade.

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