Assim se perdeu a igualdade. Artigo de Luigino Bruni

Foto: Ricardo Gomez Ange/Unsplash

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13 Junho 2026

"A conclusão do livro, no entanto, é sombria: 'No caminho para a igualdade, algo curioso aconteceu'. A financeirização do capitalismo está aumentando a desigualdade e corre o risco de levar o mundo de volta às desigualdades medievais, destruindo séculos de civilização em duas gerações.", escreve Luigino Bruni, professor Titular de Economia Política na Lumsa de Roma e diretor Científico da Economia de Francisco, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 07-0-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

História da Economia. Darrin M. McMahon debruça-se sobre as origens de sistemas equitativos, traçando sua história do neolítico e das comunidades de caçadores-coletores até a financeirização do capitalismo, que está aumentando as desigualdades.

O excelente livro de McMahon não é uma história da desigualdade, mas, como já especificado na Introdução, é uma história da igualdade. Uma distinção interessante e necessária porque economistas (Sen, Piketty) e filósofos (de Rousseau a Rawls) quase sempre trataram de desigualdade, deixando a origem e os acontecimentos da ideia de igualdade em segundo plano.

O livro é um relato detalhado e envolvente do nascimento, declínios e renascimentos da ideia de igualdade, começando pelo Neolítico e pelas pequenas comunidades nômades de caçadores-coletores, aquela longa fase da evolução do Homo sapiens caracterizada pela igualdade (entre pessoas do sexo masculino) e por pouca e leve hierarquia. Interessante, nesse sentido, é o que lemos sobre os mecanismos que essas comunidades empregavam para evitar que a hierarquia e a distância entre os líderes e o grupo crescessem além de um limite considerado sustentável para o equilíbrio da comunidade: "Quando um jovem caça demais", conta um homem do povo Sam do Deserto do Kalahari, uma sociedade de caçadores-coletores, "ele acaba se considerando um líder, um homem importante, e pensa que todos nós somos seus servos ou inferiores. Não podemos aceitar isso. Então sempre dizemos que a caça que ele abate não tem valor. Dessa forma, arrefecemos seu coração, o tornamos mais gentil" — uma lição que todos os novos sacerdotes da religião da liderança deveriam conhecer bem.

Livro "Uguaglianza. História de uma ideia sufocante", de Darrin M. McMahon (DeriveApprodi, 2026).

As hierarquias e as desigualdades, que no Neolítico eram mais plurais, transitórias e parciais, sofreram uma virada decisiva com a chamada revolução agrícola, a mais importante na história antiga das civilizações, quando entre o Egito e a Mesopotâmia "as desigualdades em suas múltiplas formas se tornaram a nova normalidade". Essa certamente não é uma teoria nova, que liga a origem da desigualdade entre os homens ao surgimento das primeiras cidades (a agricultura requer a fixação num território) e, portanto, comunidades maiores, muralhas, exércitos, primeiros impérios. Entre as inovações da revolução e da civilização agrícolas, temos também o surgimento das primeiras narrativas religiosas complexas, inicialmente na forma oral de mito e, muito mais tarde, na forma escrita, das quais a Bíblia, em particular o Gênesis, é uma grande expressão – embora McMahon não o diga, Ninrode, o soberano de Babel (Babilônia), onde os homens construíram a famosa "Torre", foi quem "começou a ser poderoso na terra" (Gênesis 10,8-10).

As religiões teriam, portanto, desempenhado um papel decisivo na criação de novas e fortes hierarquias e desigualdades: os deuses são "reis divinizados que invocam o poder dos céus para sustentar seu poder terreno". Essas mesmas religiões teriam produzido, durante a chamada "Era Axial" (800-300 a.C.), uma evolução em sentido igualitário. A teoria da Era Axial do filósofo Karl Jaspers (1893-1969) é muito fascinante: a humanidade teria alcançado, em diferentes lugares e nos mesmos séculos, uma nova síntese graças ao surgimento de grandes personalidades, diferentes, mas semelhantes do ponto de vista ético e espiritual (Sócrates, o profetismo em Israel, Buda, Confúcio, Lao Tsé...). Uma teoria instigante, mas que se mostrou fraca quando os historiadores tentaram aplicá-la para compreender as dinâmicas reais dos povos e das civilizações, McMahon, citando Jaspers e Robert Bellah, argumenta que, após essa mudança axial, as civilizações teriam vivenciado uma época de maior igualdade, porque "os profetas da Era Axial... esboçaram os primeiros contornos da igualdade humana". Uma hipótese ousada, porém, difícil de conciliar com as evidências históricas, visto que aquela pequena igualdade era restrita a elites muito pequenas (basta pensar nas mulheres ou nos escravos na Grécia, como o próprio autor apresenta no capítulo IV), e o budismo e o confucionismo conviviam com o sistema de castas hindu.

A verdadeira virada poderia ter vindo de Jesus Cristo e dos Evangelhos (e, em outros aspectos, do estoicismo grego e, ainda mais, do romano), se o cristianismo, especialmente após o século IV, não tivesse reproduzido dentro de si as estruturas sagradas e, portanto, hierárquicas antigas, tornando a sociedade cristã medieval europeia algo mais próximo das castas hindus do que da igualdade desejada e vivida por Cristo. A própria teologia trinitária dos Padres dos primeiros séculos, que McMahon analisa com notável competência, no plano teológico afirmava a igualdade da Substância na diversidade das três Pessoas divinas, contudo, no plano histórico e social, gerou efetivamente poucas consequências. Essas consequências estenderam-se até a época da Contrarreforma, quando também se fortaleceram como reação à eclesiologia anti-hierárquica de Lutero. Uma irrelevância prática que levou Kant a afirmar que “nada de útil para a vida prática pode ser extraído da doutrina da Trindade" (A Religião nos Limites da Simples Razão, 1793).

Como nos ensinou o sociólogo Louis Dumont, o homo aequalis substituiu o homo hierarchicus apenas na modernidade; portanto, entre Lutero e a Revolução Francesa, uma modernidade e uma igualdade contra as quais a Igreja Católica lutou até o Concílio, que, nesse aspecto, representou uma verdadeira virada. Para McMahon, a Revolução Francesa foi uma "reinvenção" da igualdade, mas deveríamos falar, na verdade, de efetivo nascimento, em comparação àquela pré-moderna.

A conclusão do livro, no entanto, é sombria: "No caminho para a igualdade, algo curioso aconteceu." A financeirização do capitalismo está aumentando a desigualdade e corre o risco de levar o mundo de volta às desigualdades medievais, destruindo séculos de civilização em duas gerações.

Referências

Darrin M. McMahon, Uguaglianza. Storia di un’idea sfuggente, DeriveApprodi, 414 páginas, €25.

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