10 Junho 2026
Pegada de carbono é impulsionada pelo aumento das equipes participantes e pelas distâncias percorridas entre os três países.
A informação é publicada por ClimaInfo, 09-06-2026.
A Copa do Mundo de 2026 da FIFA deve bater diversos recordes. Além do maior número de seleções participantes e maiores receitas, o torneio também ficará marcado por temperaturas escaldantes e o maior volume de emissão de gases de efeito estufa dentre todas as copas.
Segundo um relatório da Greenly, plataforma global de contabilidade de carbono, o evento pode gerar 7,8 milhões de toneladas métricas de CO2. Isso equivale às emissões anuais de 1,7 milhão de carros ou às emissões anuais de Serra Leoa, na África. E é mais que o dobro da última Copa, no Catar, em 2022, quando foram emitidas 3,7 milhões de toneladas.
O levantamento destaca que o aumento da pegada de carbono é impulsionado, principalmente, pelas distâncias percorridas entre Canadá, Estados Unidos e México, países que sediam a Copa de 2026. De acordo com a Greenly, 87% das emissões do torneio virão de viagens, informam Reuters e DW.
Nessas idas e vindas “sujas”, a BBC destaca a participação da seleção do Irã. Devido aos ataques de Estados Unidos e Israel ao país, os jogadores iranianos não poderão permanecer em solo estadunidense após os jogos. Ou seja, nos três primeiros jogos da fase de grupos, os atletas e toda a comissão técnica do Irã terão que viajar para os EUA e depois retornar para o México.
Apesar de ter acordado em 2021 a reduzir para metade suas emissões até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2040, a FIFA não estabelece metas específicas para a Copa. As metas cobrem apenas a própria organização, detalha o Mirror Football.
Um dos autores do relatório, o pesquisador Stuart Parkinson, da Scientists for Global Responsibility, também aponta que, das 18 ações definidas em sua estratégia climática para 2021, a FIFA concluiu apenas duas. As demais não registram nenhum progresso visível.
Em 2024, a entidade também assinou um acordo de patrocínio com a Saudi Aramco, uma das maiores petrolíferas do mundo, no valor de US$ 100 milhões (R$ 519 milhões) ao ano. A Aramco está patrocinando a Copa do Mundo 2026, que, ironicamente, terá quase todas as suas partidas com probabilidade de registrar temperaturas acima de 28°C, limite associado à queda de desempenho dos jogadores.
Segundo um levantamento da Bloomberg, todas as seleções participantes sofrerão com o calor ao longo dos 39 dias do torneio. Os jogadores da Tunísia enfrentarão a programação mais quente. “Esse ciclo de calor se acumula com o tempo, assim como a fadiga”, explica Donal Mullan, professor sênior da Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte.
A final do mundial provavelmente será a mais quente desde a Copa de 1994, em Los Angeles.
Em tempo
Um estudo recente da Universidade da Geórgia alerta para os potenciais impactos do calor nos trabalhadores da Copa do Mundo 2026. Com base em 30 anos de dados meteorológicos de cidades-sede do torneio, a pesquisa descobriu que, em muitas delas, os trabalhos no evento excederam os limites de exposição e alerta recomendados para o calor, colocando os trabalhadores em risco de problemas de saúde como exaustão ou insolação.
Regiões quentes e úmidas, como o Sul dos Estados Unidos, são apontadas como mais vulneráveis, detalha o 11alive. Para trabalhadores da construção civil, de estacionamento, de manutenção, de segurança e até mascotes, as atividades "só poderiam ser realizadas com segurança por 15 minutos a cada hora".
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