Conselho Mundial de Igrejas aplaude e recomenda encíclica de Leão XIV a todas as pessoas

Foto: Vatican Media

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28 Mai 2026

Que a encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV tenha um impacto tão grande no público global quanto a encíclica Laudato Si‘ do Papa Francisco teve na questão da ecologia: é este o desejo do moderador do comité central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), o bispo Heinrich Bedford-Strohm, o qual expressou esta terça-feira, 26 de maio, a sua “gratidão pelo documento social papal” que acaba de de ser divulgado.

A reportagem é de Clara Raimundo, publicada por 7Margens, 26-05-2026.

Em declarações reproduzidas no sítio oficial do CMI – a maior e mais abrangente organização ecuménica do planeta, representando cerca de 600 milhões de cristãos em mais de 110 países – o bispo luterano alemão sublinhou que a rápida evolução tecnológica e a inteligência artificial (IA) trazem “grandes oportunidades, mas também grandes riscos”. Bedford-Strohm alertou para o facto de o avanço tecnológico ter ganho um ímpeto tal que “as regras que garantem a sua utilização responsável não acompanharam o mesmo ritmo”.

Perante este cenário, o líder do comité central defende ser urgente um debate público global para estabelecer mecanismos eficazes de proteção da liberdade e da dignidade humana. Na sua perspetiva, o alvo prioritário devem ser as grandes empresas de dados, cujo monopólio considera atualmente “virtualmente incontrolável”.

E as igrejas, com o seu acervo de reflexão antropológica, têm algo importante a dizer aqui, defende o líder cristão. “É por isso que temos debatido isso intensamente nos últimos anos no âmbito do Conselho Mundial de Igrejas”, sublinha, acrescentando: “Sou muito grato por o Papa Leão XIV estar agora a dar um forte impulso a essa discussão com a sua nova encíclica”.

A pergunta que todos devemos fazer

Também o secretário-geral do CMI, o pastor presbiteriano e teólogo Jerry Pillay, expressou a sua profunda gratidão ao Papa Leão XIV pela publicação de Magnifica Humanitas, classificando-a como “muito relevante e oportuna”.

Pillay concorda que a tecnologia deve servir para “melhorar e desenvolver a vida humana” e nunca para “substituir o trabalho, o valor e a dignidade humana” e que a abordagem teológica da encíclica fornece uma posição firmemente estabelecida sobre as razões pelas quais as igrejas precisam de levantar as suas vozes de discernimento e cautela em relação aos riscos e consequências que acompanham a IA.

“Reconhece a criação dos seres humanos por Deus e a capacidade humana de praticar o bem, mas também reconhece a presença do mal e as suas trágicas consequências para os seres humanos e para a vida no mundo”, destaca Pillay, unindo-se ao apelo do Papa Leão XIV: “As guerras, os conflitos, o assassinato sem sentido de milhares de pessoas diariamente e o uso da tecnologia que auxilia em tal destruição devem ser questionados”.

Jerry Pillay lembra ainda que, quando utilizada para o bem, a tecnologia cumpre o plano de Deus ao ajudar a construir famílias e comunidades. Contudo, nas mãos dos “poderosos e ricos”, transforma-se numa ferramenta de “auto-serviço e abuso”, gerando escassos benefícios para os pobres e marginalizados. Para o responsável do CMI, a tecnologia desprovida de responsabilidade social está a “redesenhar as relações de poder e a empobrecer as relações humanas”.

O secretário-geral do CMI recupera, por fim, a pergunta central lançada pelo Papa na encíclica: “Que tipo de mundo estamos a tentar construir?”. E conclui: “O Conselho Mundial de Igrejas aplaude e recomenda a Magnifica Humanitas a todas as pessoas, não apenas às pessoas de fé, para estudo, reflexão e ação, enquanto buscamos construir um mundo melhor para todas as pessoas e para toda a criação”.

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