“Semana do Agro” na Câmara dos Deputados promove retrocessos ambientais

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • ​Sociólogo analisa a conjuntura eleitoral e os possíveis desfechos da eleição de domingo. “Diria que hoje, para sermos mais conservadores na análise, os dois vão para o segundo turno com um viés de alta para o Lula”

    Eleições 2026: “Brasil pode entrar numa rota de conflito interno e de ingovernabilidade radical”. Entrevista especial com Rudá Ricci

    LER MAIS
  • Pesquisadores comentam dados iniciais do pleito e tendências para o 2º turno

    1º turno das eleições de 2026 é marcado por metamorfoses, tecnonepotismo e insatisfação. Entrevista especial com Tatiana Vargas-Maia e Ricardo Costa de Oliveira

    LER MAIS
  • O nome Bolsonaro vence da prisão

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

22 Mai 2026

A Câmara dos Deputados promoveu uma sequência de votações de interesse dos ruralistas que provocarão estragos no meio ambiente e no clima. A “Semana do Agro” foi costurada pela Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) e pelo presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A meta era aprovar um “Pacote da Devastação”. Conseguiram.

A informação é publicada por ClimaInfo, 21-05-2026. 

Em votação acelerada e sem rito regimental padrão, os deputados aprovaram vários projetos de lei que fragilizam (ainda mais) a legislação ambiental, enfraquecem a fiscalização e dão brecha para o aumento do desmatamento e da ilegalidade. Em resumo, os parlamentares beneficiaram criminosos sem a menor vergonha. O ministro do Meio Ambiente, João Capobianco, classificou o cenário como um “retrocesso inimaginável”.

O projeto considerado o mais grave, por suas implicações imediatas, é o PL nº 2.564/2025, que altera a lei de crimes ambientais, restringindo o uso de embargos remotos – que usam imagens de satélite – pelo Ibama. A proposta pode impactar negativamente até 70% das ações atualmente realizadas pelo Ibama na Amazônia, ressalta Giovana Girardi na Agência Pública.

Uma negociação de última hora com a Frente Ambientalista e a bancada do PT conseguiu suavizar a redação do projeto. O texto aprovado retirou a proibição explícita dos embargos remotos, mas ainda assim estabeleceu a necessidade de notificar previamente o infrator antes do embargo. Na prática, isso deve dificultar a fiscalização.

Na manhã da 5ª feira (21/5), o presidente da Frente Ambientalista, deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), afirmou que sequer havia margem para tentar obstruir as votações dos projetos devastadores, informa O Globo. A saída foi, então, negociar e amenizar parte dos textos.

Foi o que aconteceu também com o PL 5.900/2025, que dava “superpoderes” ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). De autoria do presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o projeto demanda manifestações técnicas vinculantes do MAPA sobre normas que impactem espécies de interesse produtivo e exige parecer da pasta para qualquer ato relativo a licenciamento ou regulamentação, explica O Globo.

Durante a votação, a bancada do PSOL conseguiu substituir o termo “manifestação conclusiva” por “manifestação técnica prévia”. O parecer feito pela legenda era de que o projeto interferiria “diretamente na organização, nas atribuições e no funcionamento de órgãos do Poder Executivo federal”, o que é prerrogativa exclusiva da Presidência.

Infelizmente, a contenção de danos não funcionou em outros três projetos problemáticos aprovados na Câmara. É o caso do PL nº 2.486/2026, que reduz os limites da Floresta Nacional (FLONA) do Jamanxim (PA), criada para proteger áreas próximas à rodovia BR-163. De autoria de Isnaldo Bulhões (MDB-AL), o texto recategoriza quase 40% da área da FLONA do Jamanxim como Área de Proteção Ambiental (APA), que tem menor grau de proteção. O MMA acusa não ter havido estudos técnicos que embasassem essa mudança, informa a Folha.

Apresentados pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS), os PL nº 364/2019 e PL nº 3123/2025 alteram a Lei de Proteção da Vegetação Nativa e mecanismos de crédito rural, respectivamente. O primeiro coloca em risco mais de 50 milhões de hectares de vegetação nativa, enquanto o outro pode fazer com que áreas com desmatamento ilegal ou Terras Públicas griladas recebam dinheiro do governo. Nada disso, porém, importa aos “nobres” parlamentares, que aprovaram os projetos sem pestanejar.

Congresso em Foco, Revista Fórum, BNC Amazonas, O Tempo, ((o))eco, Poder 360, Capital Reset e Exame também repercutiram os projetos aprovados na Câmara na Semana do Agro.

Leia mais