Quase todos os compromissos ambientais da indústria de alimentos são greenwashing

Foto: Jose Fernando Ogura

Mais Lidos

  • Escala 6x1: "O trabalho engole tudo". O testemunho de um trabalhador

    LER MAIS
  • Fim da escala 6x1 avança no Congresso após pressão popular. Destaques da Semana no IHUCast

    LER MAIS
  • Quando o clericalismo se torna narcisismo, o altar transforma-se num palco. Artigo de Phyllis Zagano

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

09 Mai 2026

Empresas prometem neutralidade de carbono e restauração florestal, mas não fornecem evidências que sustentem suas ações climáticas.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 07-05-2026.

Um estudo publicado na revista PLOS Climate analisou promessas climáticas da indústria de carne e laticínios e confirmou que, em 98% delas, as alegações carecem de evidências para sustentar as ações. A indústria agropecuária é responsável por 57% das emissões totais da produção de alimentos e por pelo menos 16,5% de todas as emissões globais de gases do efeito estufa, informa o EcoDebate.

Em resposta à crescente conscientização ambiental dos consumidores, as empresas se comprometem em relatórios de sustentabilidade com neutralidade de carbono e ações de reflorestamento. Para verificar esses compromissos, o estudo analisou 1.233 declarações ambientais extraídas desses documentos e de sites públicos de 33 das maiores empresas de carne e laticínios do mundo, no período de 2021 a 2024.

De todas as declarações, 841 (68%) foram relacionadas ao clima, abordando direta ou indiretamente as emissões dos gases de efeito estufa e impactos das mudanças climáticas. Porém, 467 (38%) eram projeções futuras não verificadas – ou seja, mencionavam metas como “alcançar a neutralidade de carbono até 2030” ou “possibilitar a restauração de 600 bilhões de litros de água em regiões com escassez hídrica até 2030” sem fornecer evidências de como chegariam a este cenário. Somente em três foram fornecidas evidências científicas para apoiá-las, detalha o New Scientist.

Quanto ao compromisso de emissões líquidas zero, a maior parte das promessas se baseia na compensação das emissões, em vez da descarbonização direta das operações. Assim, segundo os pesquisadores, 1.213 declarações podem ser consideradas greenwashing, pois criam uma ilusão de progresso climático.

“[A indústria diz] ‘Não precisamos nos preocupar com o presente. Vamos resolver isso até 2040. Tudo estará resolvido’. E não estão fazendo nenhum progresso real”, disse Jennifer Jacquet, professora de Ciência e Política Ambiental na Universidade de Miami e autora principal do estudo, à Sentient.

Leia mais