04 Mai 2026
Plano Nacional de Transição Energética mantém petróleo, gás e carvão mineral na matriz brasileira até 2055.
A nota é publicada por Observatório do Clima, 29-04-2026.
Eis a nota.
Nas horas finais da Conferência Internacional para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, Colômbia, o Ministério de Minas e Energia publicou uma proposta de Plano Nacional de Transição Energética que mantém petróleo, gás e carvão mineral na matriz brasileira até 2055.
O Observatório do Clima não reconhece a proposta do MME como o mapa do caminho do Brasil para superar a dependência de combustíveis fósseis, encomendado em dezembro pelo presidente Lula. O mapa do caminho deve ser um esforço interministerial, com participação social, e, claro, propor uma transição energética real – e não a manutenção de produção, exportação e consumo de combustíveis fósseis além do meio do século.
“É um constrangimento para o Brasil, que foi elogiado como o proponente dos mapas do caminho em Santa Marta, que um plano de transição que não faz transição seja apresentado por um ministro de Lula enquanto 60 países tentam fazer um debate sério aqui na Colômbia sobre como sair dos combustíveis fósseis”, disse Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima. “Aliás, constranger o presidente Lula parece ser uma especialidade do ministro Alexandre Silveira, que no passado recente usou uma conferência do clima para anunciar a entrada do Brasil na Opep+”, afirmou.
O OC demanda que os outros ministérios envolvidos no desenho das diretrizes do mapa do caminho (Fazenda, Meio Ambiente e Casa Civil) sigam empenhados em produzi-las, e que Lula arbitre o impasse com o MME de forma a manter a sua promessa de um roteiro nacional de verdade.
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