17 Abril 2026
Sete semanas após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã terem fechado o espaço aéreo do Oriente Médio e mergulhado a indústria da aviação no caos, as companhias aéreas que operam na região estão lentamente retomando o tráfego normal, segundo a Al Jazeera. Mas com a continuidade do conflito, uma escassez crítica de combustível de aviação pode paralisar voos na Europa, justamente quando se aproxima a temporada de viagens de verão.
A informação é publicada por ClimaInfo, 16-04-2026.
Em entrevista à AP, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, disse que a Europa tem “talvez combustível de aviação suficiente para mais seis semanas”. Ele alertou para possíveis cancelamentos de voos “em breve” caso o fornecimento de petróleo continue interrompido devido à guerra.
A companhia aérea holandesa KLM e a britânica de baixo custo easyJet informaram na 5ª feira (16/4) que ainda não enfrentam escassez de combustível, mas já viram o aumento dos custos impactar seus orçamentos. No próximo mês, a KLM cortará 160 voos de e para o aeroporto Schiphol, em Amsterdã, devido ao preço do querosene, o que torna esses voos financeiramente inviáveis.
Mesmo com combustível de aviação, os viajantes já sofrem as consequências do choque dos preços do petróleo. Além dos cancelamentos de voos, outras companhias aéreas estão aumentando os preços das passagens e as taxas adicionais — uma situação que não se restringe à Europa.
Avaliando o contexto econômico global, Birol expressa preocupação com as repercussões do que chama de “a maior crise energética que já enfrentamos”. O impacto será “preços mais altos da gasolina, preços mais altos do gás, preços altos da eletricidade [onde esta é gerada por combustíveis fósseis]”, disse o chefe da IEA.
Como já se sabe, o impacto econômico será sentido por todas as nações, mas de forma desigual. A “bomba” fóssil vai explodir com muito mais força nos países pobres. “Os países que mais sofrerão serão principalmente os países em desenvolvimento, os países mais pobres da Ásia, da África e da América Latina”, frisou Birol.
Wall Street Journal, BBC, Economic Times, Global News, Gizmodo e CNBC também repercutiram o alerta de Fatih Birol sobre os efeitos da guerra no Oriente Médio.
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