Orbán sofre derrota avassaladora para oposição pró-Europa

Viktor Orbán. (Foto: European Union 2024/CC-BY-4.0/Flickr)

Mais Lidos

  • O Pentágono ameaçou o Vaticano. É o confronto final entre Trump e Leão. Artigo de Mattia Ferraresi

    LER MAIS
  • Ataque sem precedentes de Trump contra Leão: "Ele não seria Papa sem mim." Bispos dos EUA: "Doloroso"

    LER MAIS
  • O dia em que o mundo quase acabou. Destaques da Semana no IHUCast

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Abril 2026

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições deste domingo (12/04), após as apurações mostrarem uma ampla vantagem do líder oposicionista Péter Magyar, apontando um domínio do seu Partido pelo Respeito e pela Liberdade (Tisza) na Assembleia Nacional, com mais de dois terços das cadeiras.

A reportagem é publicada por DW Brasil, 13-04-2026.

O reconhecimento da vitória de Magyar por Orbán ocorreu durante discurso do líder ultranacionalista, que está 16 anos à frente do país.

"A responsabilidade e a oportunidade de governar não foi dada a nós", declarou Orbán. "Serviremos ao país e à nação húngara na oposição", complementou, acrescentando que o resultado foi "doloroso, mas claro".

Poucos minutos antes, Magyar havia afirmado, pelas redes sociais, que o adversário o tinha parabenizado pela vitória nas urnas. "O primeiro-ministro Viktor Orbán acaba de me telefonar para nos felicitar pela vitória", escreveu o líder da oposição.

"Como prometemos, como esperávamos, hoje, 12 de abril de 2026, a Hungria e vários milhões de pessoas fizeram história novamente, exatamente 23 anos depois do dia em que foi realizado o referendo sobre a adesão à União Europeia na Hungria", acrescentou Magyar.

Mais de dois terços do Parlamento

Com cerca de 90% das urnas apuradas, às 22h30 do horário local (17h30 de Brasília), o Tisza havia alcançado 138 das 199 cadeiras na Assembleia Nacional, o que representa mais que dois terços do Legislativo húngaro (133). O Fidesz, de Orbán, somava 55, e o Mi Hazánk (Nossa Pátria, de ultradireita), seis.

As urnas fecharam às 19h com uma adesão eleitoral recorde, superior a 77,8%, segundo as previsões oficiais.

Houve longas filas em várias seções eleitorais, e o aumento da participação foi mais pronunciado em cidades de médio porte e entre os eleitores mais jovens, mais propensos a apoiar o conservador e pró-europeu Péter Magyar, segundo os analistas, relatou a agência France-Presse (AFP).

A eleição foi considerada a mais importante para a Hungria desde a transição democrática de 1989/90.

Os eleitores votaram para escolher os 199 lugares da Assembleia Nacional, num sistema eleitoral misto, com 106 deputados eleitos em círculos uninominais e 93 em listas de partidos nacionais. Nessas contas também entram os votos das minorias, particularmente alemães e roma.

O pleito foi seguido de perto em países da Europa e de outros continentes, o que demonstra o papel desproporcional que Orbán desempenha na política populista de ultradireita em todo o mundo.

Líderes europeus parabenizam Magyar

O vencedor das eleições, Péter Magyar, ex-partidário de Orbán, comprometeu-se, durante a campanha, a reconstruir as relações da Hungria com a União Europeia (UE) e a Otan — laços que se desgastaram durante o governo do Fidesz.

Os líderes europeus não demoraram a parabenizar Magyar.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "a Hungria escolheu a Europa" e que o país "retoma seu caminho europeu". "A Europa sempre escolheu a Hungria. Juntos, somos mais fortes", disse von der Leyen, acrescentando que "o coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite".

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que "o povo húngaro decidiu" e felicitou Magyar pelo sucesso eleitoral, defendendo a união de esforços por "uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida".

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse ter falado com Magyar para parabenizá-lo pela vitória e classificou o resultado como um triunfo da participação democrática. Segundo ele, o voto mostrou o apego da população húngara aos valores da União Europeia e ao papel do país no projeto europeu.

Ex-membro do Fidesz, partido de Orbán, Magyar rompeu com a sigla em 2024 e rapidamente fundou o Tisza. A partir de então, percorreu a Hungria incansavelmente, realizando comícios em cidades grandes e pequenas — uma campanha intensiva que recentemente o levou a visitar até seis cidades por dia.

Em entrevista à Associated Press no início deste mês, Magyar disse que a eleição seria um "referendo" sobre se a Hungria continuaria em direção à Rússia sob Orbán ou se retomaria seu lugar entre as sociedades democráticas da Europa.

O Tisza é membro do Partido Popular Europeu, a principal família política de centro-direita cujos líderes governam 12 dos 27 países da UE.

Batalha difícil

Durante os últimos anos, Orbán frustrou repetidamente os esforços da União Europeia para apoiar a Ucrânia na guerra contra a invasão russa, ao mesmo tempo que cultivou laços estreitos com o presidente Vladimir Putin.

Durante seus 16 anos como primeiro-ministro, o ultranacionalista lançou duras repressões contra os direitos das minorias e a liberdade de imprensa, subverteu muitas das instituições húngaras e foi acusado de desviar grandes somas de dinheiro para os cofres de sua elite empresarial aliada — alegação que nega.

Orbán também desempenhou um papel de destaque na política populista de ultradireita em todo o mundo. Foi tratado por Donald Trump como uma "superestrela" e se aproximou de Jair Bolsonaro enquanto o brasileiro, hoje em prisão domiciliar, estava na Presidência da República. Em 2024, Bolsonaro chegou a se refugiar na Embaixada da Hungria, em Brasília, após ter o passaporte apreendido pela Polícia Federal.

Magyar ascendeu rapidamente e tornou-se o adversário mais sério de Orbán. O líder de 45 anos do partido de centro-direita Tisza fez campanha com base em questões que afetam os eleitores comuns, incluindo os setores da saúde pública e dos transportes da Hungria, que estão em declínio, e o que descreve como corrupção desenfreada no governo.

Mas a batalha eleitoral foi acirrada. De acordo com o Washington Post, a Rússia teria planejado interferir e influenciar as eleições a favor de Orbán. O ultranacionalista, por sua vez, acusou a vizinha Ucrânia, bem como os aliados da Hungria na UE, de tentarem influenciar a votação para instalar um governo "pró-Ucrânia".

Leia mais