Maiores petrolíferas do mundo reduzem investimentos em transição energética

Foto: Arlind Photography/Unsplash

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24 Março 2026

Enquanto planeta aquece e vive crise energética por causa do petróleo, Exxon e TotalEnergies aumentam suas apostas em combustíveis fósseis.

A informação é publicada por ClimaInfo, 23-03-2026.

As maiores empresas de petróleo e gás fóssil do mundo reduziram investimentos em transição energética em 2025. Segundo a BloombergNEF, foi a primeira queda anual nessas aplicações em oito anos. No entanto, sabendo que as petrolíferas respondem por apenas 1,4% dos investimentos globais em renováveis, o que já era muito ruim conseguiu piorar. O clima que espere.

De acordo com Bloomberg e Folha, os investimentos das grandes petrolíferas em tecnologias de baixo carbono somaram US$ 26 bilhões (R$ 137 bilhões) no ano passado – como comparação, o lucro líquido da estadunidense ExxonMobil foi de US$ 29 bilhões (R$ 151 bilhões) em 2025. O valor investido representa uma queda de pouco mais de 30% ante mais de US$ 38 bilhões (R$ 202 bilhões) aplicados por essas empresas em 2024, de acordo com a BNEF.

Nem todas as empresas recuaram nos gastos relacionados à transição energética, conforme a BNEF. A espanhola Repsol e a saudita Saudi Aramco, as maiores investidoras em tecnologia de baixo carbono em 2025, comprometeram-se com cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21 bilhões) cada – mais do que no ano anterior. A Repsol lucrou US$ 2,2 bilhões (R$ 11,5 bilhões) no ano passado, enquanto a Saudi Aramco teve lucro líquido ajustado de impressionantes US$ 105 bilhões (R$ 548 bilhões).

Se mesmo com grandes lucros as petrolíferas recuaram no parco investimento em transição energética – inclusive a Petrobras, que reduziu em 20% os recursos previstos para a área até 2030 -, a guerra no Oriente Médio deve frear ainda mais essas aplicações. Já os recursos para petróleo e gás em regiões consideradas “seguras” vão aumentar.

Um exemplo é a Exxon. Com a disparada dos preços do petróleo e do gás provocada pela guerra, a petrolífera está acelerando projetos de produção na Guiana, informa a Reuters. A Guiana permitiu que a empresa aumentasse rapidamente sua capacidade de produção para mais de 900.000 barris por dia (bpd) logo após iniciar a produção de petróleo bruto no país, em 2019.

Já a francesa TotalEnergies irá redirecionar quase US$ 1 bilhão de concessões de energia eólica offshore nos Estados Unidos para petróleo e gás no país, segundo a Reuters, como parte de um acordo feito com o governo de Donald Trump. O valor pago pela empresa em arrendamentos para eólicas marítimas será reembolsado pelo governo. Com o dinheiro, a Total vai instalar quatro unidades de liquefação de gás fóssil no Texas e expandir a produção de petróleo convencional no Golfo do México e de gás de fracking.

Em tempo

Em vez de acelerar a transição energética por causa da guerra no Irã, setores econômicos usam o conflito para pedir o contrário. Dirigentes das companhias aéreas da Europa pediram à União Europeia para adiar as medidas "inviáveis" de sua agenda verde, alertando para o aumento das tarifas devido ao conflito no Oriente Médio, informa a Folha. Citando a falta de oferta disponível e os altos custos, o grupo de lobby A4E do setor aéreo pediu aos órgãos reguladores que revogassem os mandatos para uso de combustível de aviação sustentável sintético (eSAF) a partir de 2030. O bloco, porém, rejeitou qualquer adiamento. "Temos um caminho que precisamos seguir. Continuamos com nossas metas (climáticas) e o setor precisa investir", disse Apostolos Tzitzikostas, comissário da UE para transporte sustentável e turismo.

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