20 Março 2026
A Igreja Católica na Alemanha continua a encolher drasticamente – até que, eventualmente, não haja mais nada para encolher. O que fazer? Mudar tudo o que precisa ser mudado, comenta Tobias Glenz. E há muito que poderia ser feito.
O artigo é de Tobias Glenz, editor de katholisch.de, publicado por katholisch.de 19-03-2026.
Mais uma estatística alarmante da Igreja: mais de 300 mil pessoas na Alemanha deixaram a Igreja Católica no ano passado. O fato de esse número ser agora ligeiramente menor do que no ano anterior e de não ter sido batido nenhum novo "recorde" de saídas dificilmente pode ser considerado um sucesso. Uma coisa é certa: a Igreja neste país está encolhendo de forma constante e drástica a cada ano – até que, eventualmente, não haja mais nada para encolher. Então, o que pode ser feito?
O professor emérito de teologia fundamental de Münster, Jürgen Werbick, resumiu a questão recentemente de forma sucinta: A Igreja deve mudar tudo o que se interpõe no seu caminho e impede a sua missão. Poderíamos também dizer: Ela deve iniciar todas as reformas possíveis e necessárias para se manter viável no futuro. E muita coisa seria possível.
Por que, por exemplo, a tão repetida "questão feminina" não foi resolvida há muito tempo? O próprio Vaticano a descreveu recentemente como "urgente ", mas nada de concreto está acontecendo. A possibilidade de mulheres serem ordenadas ainda está muito distante. Quanto potencial está sendo desperdiçado aqui — simplesmente por causa do gênero? O argumento simplista de que "Jesus era um homem" é tão ineficaz quanto recorrer a documentos papais anteriores; o atual pontífice poderia muito bem chegar a uma conclusão completamente diferente. A mudança é sempre possível.
E quantos potenciais sacerdotes – apenas 25 foram ordenados na Alemanha em 2025 – se perdem devido à rígida adesão ao celibato obrigatório? No entanto, como um pastor sênior recentemente observou com propriedade, esta "não é uma lei divina, nem um dogma, mas uma simples lei da Igreja que podemos facilmente mudar".
E por que as minorias sexuais e de gênero ainda se sentem marginalizadas na Igreja? Elas não querem pequenas concessões como "Afinal, você não é tão ruim assim", mas sim serem plenamente aceitas. Nada impediria isso.
A lista poderia continuar. A Igreja certamente não carece de oportunidades para se tornar mais atraente para as pessoas novamente. A única questão é: ela precisa querer. Isso não tem nada a ver com "ceder ao espírito da época", como alguns poderiam argumentar. Trata-se, antes, de reconhecer a realidade – e tirar as conclusões corretas dela.
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