11 Março 2026
A Anthropic responde ao governo Trump nos tribunais. A empresa de tecnologia processou o Pentágono para que os tribunais federais revoguem a decisão do Departamento de Defesa de designar a empresa de inteligência artificial como um “risco para a cadeia de suprimentos”, devido à sua recusa em permitir o uso militar sem restrições de sua tecnologia.
A informação é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 09-03-2026.
A Anthropic apresentou nesta segunda-feira dois processos separados, um no tribunal federal da Califórnia e outro no tribunal federal de apelações de Washington DC, nos quais contesta diferentes aspectos das medidas do Pentágono contra a empresa, informa a Associated Press.
Na semana passada, o Pentágono designou oficialmente a empresa tecnológica de São Francisco como um “risco para a cadeia de suprimentos” após uma disputa sobre como seu chatbot de IA, o Claude, poderia ser utilizado na guerra.
“Essas ações não têm precedentes e são ilegais”, afirma o processo da Anthropic: “A Constituição não permite que o Governo exerça seu enorme poder para punir uma empresa por sua liberdade de expressão, que é protegida por lei. Nenhuma lei federal autoriza as medidas tomadas neste caso. A Anthropic recorre ao judiciário como último recurso para reivindicar seus direitos e deter a campanha ilegal de retaliação do Executivo”.
A Anthropic afirma que pretendia restringir o uso de sua tecnologia para dois fins: a vigilância em massa de americanos e o desenvolvimento de armas totalmente autônomas. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, e outros altos cargos do governo Trump insistiram que a empresa deveria aceitar “todos os usos legais” do Claude e ameaçaram castigá-la caso não cumprisse.
A designação da empresa como risco para a cadeia de suprimentos interrompe o trabalho da Anthropic no âmbito da defesa, ao aplicar um recurso desenhado para evitar que inimigos estrangeiros atentem contra os sistemas de segurança nacional nos EUA.
É a primeira vez que o governo federal dos EUA utiliza essa designação contra uma empresa americana.
Donald Trump, também afirmou que ordenaria às agências federais que deixassem de utilizar o Claude, embora tenha concedido ao Pentágono seis meses para retirar gradualmente o produto, que está profundamente integrado em sistemas militares confidenciais, incluídos os utilizados na guerra do Irã.
Apesar de lutar contra as decisões do Pentágono, a Anthropic tem tentado convencer empresas e outras agências governamentais de que a sanção do governo Trump afeta apenas os contratantes militares quando utilizam o Claude em trabalhos para o Departamento de Defesa.
Esta distinção é crucial para a Anthropic, já que a maior parte de sua receita prevista para este ano, que chega a 14 bilhões de dólares, provém de empresas e agências governamentais que utilizam o Claude para codificação informática e outras tarefas.
Mais de 500 clientes pagam à Anthropic pelo menos um milhão de dólares por ano pelo Claude, de acordo com uma avaliação que avaliou a empresa em 380 bilhões de dólares, informa a AP.
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