Mudanças climáticas intensificaram em 20% chuvas extremas em Minas Gerais

Foto; Taryn Elliott/Pexels

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02 Março 2026

Além de mais chuvas do que o habitual, as temperaturas aumentaram de 0,8°C a 1,5°C na Zona da Mata mineira.

A informação é publicada por ClimaInfo, 01-03-2026.

Uma nova análise do ClimaMeter indica que as chuvas extremas que afetaram Minas Gerais, em especial a Zona da Mata, foram potencializadas pelas mudanças climáticas. A cidade de Juiz de Fora registrou o fevereiro mais chuvoso de sua história, com um volume 240% superior ao recorde anterior, e acumulou 230 mm em apenas dois dias, entre 22 e 24 de fevereiro.

Pesquisadores avaliaram como eventos meteorológicos semelhantes se comportam no clima atual da região (1988–2025) em comparação com o período de 1950 a 1987. O resultado foi que a precipitação está entre 15% e 20% maior do que antes do aquecimento global em 1,3°C. As temperaturas também subiram entre 0,8°C e 1,5°C na região, detalha o Um Só Planeta.

“O aumento na frequência e na intensidade da precipitação extrema é uma das consequências esperadas das mudanças climáticas antropogênicas”, disse uma das autoras do levantamento, a brasileira Suzana Camargo, da Universidade de Columbia (EUA).

Para o secretário nacional de Mudança do Clima, Aloísio Melo, a destruição provocada pelas chuvas extremas na Zona da Mata mineira expõe gargalos nas políticas de prevenção dos municípios brasileiros. Em entrevista à CNN Brasil, ele ressaltou que gestores públicos ainda ignoram a gravidade da situação. “Resiliência é muito uma questão local, de cada contexto, e requer que os agentes locais estejam mobilizados”, afirma o secretário.

Melo lembra do eixo de adaptação do Plano Clima, que tem como objetivo tornar as cidades mais resilientes aos impactos das mudanças climáticas. “Incluímos esse olhar no Fundo Clima e criamos uma finalidade específica, com condições próprias de financiamento. Melhorar sistemas de drenagem, o escoamento da água, criar áreas de absorção com soluções baseadas na natureza. São investimentos menos visíveis, mas fundamentais”, conclui.

No sábado (28/2), o presidente Lula anunciou a criação de um gabinete federal em Juiz de Fora para a reconstrução das cidades mineiras atingidas pelas chuvas extremas, informam SBT News e Poder 360. O objetivo da estrutura é desburocratizar a liberação de recursos.

Também no sábado, o Corpo de Bombeiros encerrou as buscas em Juiz de Fora, após encontrar o último desaparecido – Pietro Cesar Teodoro Freitas, de 9 anos. Segundo a Folha, ao todo, 65 pessoas morreram no município e mais de 8.500 estão desabrigadas e desalojadas. Em Ubá, foram registradas sete mortes e uma pessoa permanece desaparecida.

Em tempo

Segundo o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”, divulgado recentemente pelo CEMADEN, as chuvas extremas são a principal causa de mortes por desastres climáticos no Brasil. Entre 2020 e 2023, o país registrou 7.539 desastres climáticos - um aumento de 222% em relação às ocorrências na década de 1990. A proporção de municípios afetados saltou de 27% para 83%. As chuvas foram responsáveis por 86% das mortes registradas nesses eventos. Somente em 2025, foram quase 337 mil pessoas diretamente impactadas e mais de R$ 2,9 bilhões em danos materiais, detalha o Valor.

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