O discurso imaginário de Francisco de Assis, como se falasse nos dias da exumação, exibição e veneração pública de seus ossos

Foto: Sala Stampa Sacro Convento Assisi/Vatican Media

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03 Março 2026

O texto é de Fabio Tesser, publicado no Facebook, 22-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Irmãos e irmãs, vocês me chamaram aqui. Abriram um santuário, acenderam luzes, arranjaram flores. Trarão seus filhos, suas orações, suas expectativas. E eu lhes pergunto — não em tom de reprovação, mas por amor: o que vocês vêm buscar? Meus ossos? Eu os deixei de bom grado à terra. Eles nunca foram o lugar onde Deus habitava. Conheci um sepulcro vazio. E lá aprendi que “Deus não se demora”. Se o Senhor ressuscitou, por que vocês o procuram entre coisas paradas? Se Cristo vive, por que querem guardá-lo? Quando eu caminhava pelas estradas, não tinha nada para mostrar. Nenhuma relíquia, nenhum sinal, nenhum poder. Eu tinha apenas uma Palavra que ardia em meu coração e alguns pobres que me ensinavam a compreendê-la. Vocês me dizem que a fé precisa ver. Eu lhes digo que “a fé precisa servir”. Vocês me dizem que o homem busca um contato. Isso é verdade. Mas o contato que salva não é com os ossos dos santos, e sim com a carne viva de nossos irmãos feridos. Vocês encheram as igrejas de objetos para contemplar porque tinham medo de ouvir. Ouvir é perigoso. Porque aqueles que ouvem o Evangelho não podem mais continuar a ser como antes. Olhar é mais fácil. Pode-se olhar, chorar, se comover e depois voltar para casa sem mudar nada. Mas o Senhor não disse: "Bem-aventurados os que tocaram", mas sim: "Bem-aventurados os que não viram e creram".

Não peço que destruam nada. Peço que não parem aqui. Se vocês se ajoelham diante dos meus ossos, mas permanecem de pé diante do pobre, vocês não entenderam nada de mim. Se vocês beijam a urna em um santuário, mas evitam o leproso de hoje, vocês traíram o Evangelho. Se vocês buscam em mim um intercessor para evitar ouvir o Cristo vivo, vocês estão me usando como um álibi. Não me transformem em um objeto sagrado. Eu queria ser um irmão. Não me peçam milagres. Perguntem a si mesmos por quem vocês estariam dispostos a perder a vida. A verdadeira relíquia não é o que resta de um santo morto. A verdadeira relíquia é uma Igreja que vive pobre, livre e fiel. Se vocês saírem daqui mais mansos, mais justos, mais atento aos últimos, então abençoo sua jornada. Mas se vocês saírem daqui apenas consolados e não convertidos, então fechem de vez o santuário. Eu não moro lá. Eu espero por vocês na rua.

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