Quando duas coroinhas ladeando o Papa no século XXI ainda causam alvoroço na mídia…

Foto: Reprodução | Twitter/X

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19 Fevereiro 2026

Nas redes sociais e em veículos de comunicação focados no Vaticano, a imagem das duas coroinhas que auxiliaram Leão XIV na missa de domingo celebrada na paróquia de Óstia viralizou em poucas horas.

A reportagem é de RD/EFE, publicada por Religión Digital, 16-02-2026.

Nas redes sociais e em veículos de comunicação focados no Vaticano, uma imagem viralizou nas últimas horas: a de duas coroinhas auxiliando o Papa Leão XIV na missa de domingo que ele celebrou na paróquia de Óstia. Não é a primeira vez que um papa faz isso, mas ver mulheres no altar ainda é notícia.

Papa Leão XIV com duas coroinhas. (Foto: Reprodução) 

"Primeira missa pública de Leão XIV com a presença de coroinhas", estampam algumas manchetes de veículos de mídia pseudocientíficos, lembrando que, desde 1994, o Código de Direito Canônico permite ao bispo diocesano autorizar mulheres e meninas a desempenharem funções de serviço no altar.

Em algumas ocasiões, meninas foram vistas realizando esse serviço ao lado de um papa, como quando João Paulo II visitou a Alemanha em 1980 ou durante visitas a paróquias romanas. Mas a imagem continua a gerar discussões.

Vicente Durán Casas, jesuíta e reitor da Pontifícia Universidade Javeriana de Cali, publicou nas redes sociais: "Acho que esta é a primeira vez que vejo um papa acompanhado por acólitos em uma celebração litúrgica. Mudanças pequenas, mas significativas."

"O uso de coroinhas tem sido controverso em algumas dioceses dos Estados Unidos e entre alguns bispos, mas aparentemente não na Diocese de Roma ou para o seu bispo", explicou James Martin, o conhecido jesuíta americano e defensor dos direitos LGBT na Igreja, nas redes sociais.

Martin estava respondendo a Christopher Hale, político católico e democrata americano, que escreveu: "Pela primeira vez durante seu pontificado, Leão XIV é servido por uma coroinha. Adorei os tênis Adidas que ela escolheu para a ocasião."

Hernán Quezada, delegado para Formação, Juventude e Vocações da Conferência Jesuíta da América Latina e do Caribe, também aplaudiu: "Pela primeira vez no pontificado de Leão XIV, uma menina serviu no altar, como compartilhado por @ChristopherHale. Certamente será a primeira de muitas vezes. Também gostei de vê-la de Adidas!!!"

Em maio de 2024, o suplemento feminino do jornal do Vaticano 'L'Osservatore Romano' já denunciava a rejeição, ainda em algumas paróquias, da participação de coroinhas nas missas, assim como elas também não são admitidas nos coros.

O artigo intitulado "a vida difícil das coroinhas" lamenta que ainda hoje exista o risco de encontrar párocos "que claramente preferem ser auxiliados no altar por meninos e jovens, não tolerando a presença de meninas".

“Nos perguntamos que tipo de experiência na Igreja essas meninas, as potenciais futuras cristãs, têm. E os meninos? Não correm o risco de se sentirem privilegiados em comparação com seus colegas?”, escreve a Irmã Elena Massimi, das Filhas de Maria Auxiliadora e presidente da Associação de Professores de Liturgia, em um artigo.

O artigo destacou que a "relação entre as mulheres e a Igreja já está em crise" e refletiu sobre a importância de incluir as meninas nos assuntos da Igreja desde tenra idade.

Ele também denunciou que em algumas paróquias, "precisamente no contexto de discernimento sobre uma possível escolha vocacional orientada para o sacerdócio, confiam o serviço no altar a meninos" e enfatizou que as meninas, por outro lado, desempenham um papel "complementar", como acolher, apresentar as oferendas ou distribuir os folhetos com os cânticos.

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